Brasil: (im)possíveis diálogos #3

A gueto publica entre março e junho textos de ficção e de não ficção dos autores convidados da Printemps Littéraire Brésilien a partir do tema norteador deste ano: Brasil: (im)possíveis diálogos. Os textos vão ao ar primeiro individualmente aqui no portal e depois serão reunidos em e-book (orgs. Leonardo Tonus e Christiane Angelotti) para download gratuito.

Dois poemas s/título

Por Manuella Bezerra de Melo

printemps_ficcao
Vitor Rocha

Esperar um anjo com sua trombeta
esperar cuspir as pérolas antes de engolir
os rubis na areia
a areia em cascalhos
os pés sujos de pixe
o pixe sujo de cobiça
as pérolas cagadas dos porcos

Esperar uma noite bonita
um momento sublime
a luz ideal de velas
do lustre
do sorriso do gato
do breu
do silêncio que precede a guerra

Esperar que cresça o filho
um ano tem 365 dias
um filho viverá muitos anos
até que você voltará a dormir
uma noite parcial
nunca mais voltará
nunca mais voltará a dormir

Esperar pelo verão três estações inteiras
tempo é o que dura um terço de um ano
folhas secas animais mortos
pelos de gato nas almofadas
há uma primavera no entremeio
adubo aduba tudo
tudo morreu até você

Esperar que estanque o sangue
contemplar o fim da sangria na jarra
beber o vinho do escuro de um céu
e dançar com o homem coxo
o fado da sereia minhota
sob uma pedra azul brilhante
trazida na valsa de uma águia

Esperar que cresçam os cabelos
os fios do cabelo precisam do sol do verão
não crescem porque são cortados
são cortados por não crescem
queria-os longos mas os corto
como corto minha língua
minhas asas e meus punhos

* * *

Um dia qualquer, num sonho com a morte
extraviavam miolos numa intangível nau
que boiava ao mar soprada no vento às velas
até alcançar a branca areia latina

Nas imagens desconexas como sonhar o sonho
ou como a dor do sonho e da vida
avistava acordada os sonhos de dormida
e vomitava sob a cama a vontade dos lençóis
em minutos era infeliz e insatisfeita
foi tão forte que doeu a vida inteira

As amigas estavam mortas
e seus corpos foram sepultados neste corpo
condenado a carregá-los no ventre
e as gerar inteiras, restos e suas cóleras

Como mãe, sangrei nas pernas estas vidas mortas
mas como mãe celebrei a glória do gestar
um feto despejado do seu alojamento local
depois esqueci-me do sonho mas fiz notas
nas folhas de uma agenda do ano passado
amassada, foi ao lixo junto as fezes do gato

Manuella Bezerra de Melo é licenciada em Jornalismo, pós-graduada em Literatura e Interculturalidade e mestre em Teoria da Literatura e Literaturas Lusófonas. Publicou Desanônima (Editora Autografia, 2017), Existem Sonhos na Rua Amarela (Editora Multifoco, 2018) e Pés Pequenos pra Tanto Corpo (Editora Urutau, 2019). Participa do coletivo Palavra Voa, onde opera como facilitadora, moderadora e realizadora em atividades literárias. Já teve seus poemas publicados em portais, blogs e revistas literárias brasileiras e portuguesas, entre elas Etudes Lusophones, Incomunidade, Escamandro, Germina, Revista Pixé, Revista Gueto, Revista Palavra Comum e Mulheres que Escrevem.

Brasil: (im)possíveis diálogos #2

A gueto publica entre março e junho textos de ficção e de não ficção dos autores convidados da Printemps Littéraire Brésilien a partir do tema norteador deste ano: Brasil: (im)possíveis diálogos. Os textos vão ao ar primeiro individualmente aqui no portal e depois serão reunidos em e-book (orgs. Leonardo Tonus e Christiane Angelotti) para download gratuito.

Empregadas

Por Tiago Germano

Para Leandro Assis e Triscila Oliveira

printemps_ficcao
Vitor Rocha

“Na família da minha mãe nós somos os mais ricos…”

Ela abriu a cueca branca entre os dedos e pediu que eu colocasse uma perna de cada vez.

“…mas na do meu pai eu já não sei dizer.”

Fez o mesmo com a calça jeans, fechando depois o zíper.

“Talvez os segundos… ou terceiros…”

Colocou o primeiro botão da camisa em sua casa. Deixou que eu tentasse abotoar o resto.

“O tio Duda tem dois carros, então acho que ele é o primeiro mais rico…”

Eu cheguei no botão da gola e percebi que alguma coisa estava errada.

“… e o tio Mário tem duas televisões.”

Ela me mostrou que eu havia pulado uma casa. Tirou os botões das casas erradas e guiou os meus dedos pelas certas.

“Isso sem contar o Master System do Rafa, né?”

Ela penteou o meu cabelo para frente. Depois para trás dividindo no meio.

“Mas aqui na rua sem dúvida nós somos os mais ricos.”

Eu ainda não precisava usar desodorante, então ela colocou a colônia, uma gota de cada vez, bem atrás das minhas orelhas.

“O vizinho pensa que é mais rico só porque tem uma antena parabólica no jardim.”

Ela me fez sentar na cama e calçou os meus tênis.

“No jardim! Você já viu?”

Eu nunca soube como ela fazia aquele nó tão fácil de desfazer, mas que não desmanchava nunca.

“E do que que adianta ter tanto canal só de boi?”

Ela recolheu a roupa suja e fez uma trouxa delas na toalha molhada.

“Na sua casa também tem canal de boi?”

Ela me deu as costas e saiu do meu quarto.

* * *

“São tempos difíceis. Tá quase impossível encontrar alguém de confiança…”

Minha mãe havia se aposentado mas não conseguia dar conta sozinha da casa. Uma diarista vinha uma vez por semana para ajudar na limpeza.

“…e comer de marmita todo dia você sabe como é, né, o seu pai reclama.”

Havíamos recém comprado uma máquina de lavar. Meu pai culpava a função de secagem por ter, segundo ele, encolhido suas camisas de linho.

“Eu já tenho que aguentar a obsessão dele com os fios de cabelo no chão e a poeira nos móveis.”

Meu pai passava os dedos nos móveis para conferir se estavam limpos. Já havia demitido mais de uma empregada por causa disso.

“Isso porque a Cida é limpinha e deixa tudo tinindo na segunda.”

Minha mãe o havia proibido de fazer o mesmo com a Cida.

“Mas sabe como é, né, uma vez por semana… consegue imaginar o tanto de poeira que entra por essas janelas?”

Havia uma obra no terreno da frente. O prédio começava a tomar a nossa vista para o mar.

“Lembra o drama que foi com a Zefa, na época da casa?”

Zefa: melhor bife da infância. Não sabia o que era a parmegiana mas acertou de primeira porque, quando viu a receita, disse que fazia pros filhos com ovo e queijo, sempre que dava pra comprar.

“Cozinhava direitinho aquela, mas era porca. Seu pai dava um chilique todo dia que passava o dedo no balcão da cozinha.”

Zefa tinha vergonha de comer na mesa mesmo depois de nós. Para falar a verdade, eu nunca tinha visto a Zefa comer.

“Mas pelo menos não roubava, né. Lembra daquela que escondia as coisas de vocês no quintal e depois pulava o muro de noite, pra pegar pros filhos?”

Neide: tinha voltado de São Paulo, grávida aos dezesseis. Foi a maior decepção da minha mãe quando engravidou de novo, ninguém sabia de quem. Meu pai pagou até a licença-maternidade e achou aquele roubo uma falha imperdoável, logo que ela voltou a trabalhar para nós.

“Sabe que a menina dessa Neide passou na Federal agora?

Eu gostava da Neide.

“Cotas, né? E a gente tendo que pagar faculdade particular por causa disso.”

Eu gostava na verdade da vitamina de abacate da Neide.

“Ah, mas a pior de todas foi aquela Nina, lembra, aquela com espírito de rica, que se metia nas conversas?”

Nina, a que mais havia durado. Deu banho de álcool em meu irmão pra baixar a febre e dormiu todas noites em nossa casa quando meus pais viajaram para fora pela primeira vez.

“Aquela eu nem quero saber por onde anda.”

Nina sempre resmungava quando tinha que arrumar a nossa cama.

“A gente sempre teve o dedo meio sujo pra empregada.”

Nina hoje tinha um pequeno ateliê de costura.

* * *

A Cida tinha acabado de ser demitida num acesso de fúria do meu pai, antes de sair para o trabalho.

“Eu digo, a gente só pode ter o dedo podre.”

Na área de serviço, a máquina de lavar ainda terminava o ciclo rápido com todas as minhas roupas acumuladas ao longo da semana. Eu já podia finalmente me vestir e ir para a faculdade também. Eu tinha vergonha de trocar de roupa na frente da minha mãe, então fui para a dependência de empregada.

“Você não se lembra, mas a única que deu certo com a gente pediu demissão quando vocês eram ainda pequenos.”

Troquei primeiro a cueca suja por outra limpa, quentinha, ainda com o calor da máquina.

“Aquela sim, era uma pessoa digna… simples, mas digna. Nunca tive do que reclamar.”

Sacudi a calça jeans ainda meio amassada e a vesti. Primeiro uma perna, depois a outra.

“Era a única que conseguia tirar você da cama de manhã e arrumar a tempo de chegar no colégio.”

Conferi o cheiro das minhas axilas antes de colocar a camisa, ainda com o aroma do amaciante.

“Só que teve esse dia, você não vai lembrar. Ela levou vocês pra escola, fez o serviço da casa, deixou tudo impecável, mas saiu sem dizer nada e encontrei um bilhete dela pedindo desculpas, dizendo que tinha que ir embora e que a gente não precisava se preocupar com o pagamento dos últimos dias.”

Demorei a desfazer o nó cego dos sapatos e a colocá-los nos pés.

“Nunca entendi porque ela foi embora.”

Penteei os cabelos no espelho da sala.

“Engraçado… Por mais que eu me esforce, não consigo lembrar o nome dela.”

Me despedi da minha mãe e só na porta percebi que tinha pulado um botão da camisa.

Tiago Germano é escritor e jornalista paraibano. Autor do romance A Mulher Faminta (Editora Moinhos, 2018) e da coletânea de crônicas Demônios Domésticos (Le Chien, 2017), vencedora do Prêmio Minuano e indicada ao Prêmio Jabuti. Mestre e doutorando em escrita criativa pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), é bolsista do Programa de Internacionalização da CAPES na School of Literature, Drama and Creative Writing da Universidade de East Anglia (UEA), em Norwich (Inglaterra), por onde já passaram escritores como Ian McEwan e Kazuo Ishiguro. Seu romance O Que Pesa no Norte será lançado ainda este ano pela Editora Moinhos.

Brasil: (im)possíveis diálogos #1

A gueto publica entre março e junho textos de ficção e de não ficção dos autores convidados da Printemps Littéraire Brésilien a partir do tema norteador deste ano: Brasil: (im)possíveis diálogos. Os textos vão ao ar primeiro individualmente aqui no portal e depois serão reunidos em e-book (orgs. Leonardo Tonus e Christiane Angelotti) para download gratuito.

Sentença de morte

Por João Marcos Buch

printemps_nao_ficcao
Vitor Rocha

Eu não sei se quero mais ficar nisso! Com essa afirmação, feita para uma amiga juíza também da execução penal, de outro estado, iniciei um dos dias mais quentes do verão de Joinville, e também um dos mais difíceis. A sensação térmica chegaria aos 49 graus. Tinha passado a noite me virando na cama, o que para mim era muito novo. Não lembrava da última vez que o sono me havia faltado. Sempre tivera muita facilidade para dormir. O motivo da falta de sono, porém, não era o calor. Um apenado havia sido morto dentro da unidade prisional. Detentos morrem o tempo todo, podem dizer. Ocorre que, a não ser que estejamos entorpecidos, nenhuma morte passa por nós impunemente, é da natureza humana fazer uma revisão da caminhada percorrida quando a finitude se impõe ao redor. Ainda assim, se em outras ocasiões eu não perdera o sono, por que agora isso tinha ocorrido? E se eu disser que minha caneta assinou a sentença de morte daquele detento, isso seria o suficiente?

Fazia uns anos que estava sob minha responsabilidade a execução penal de Carlos — nome fictício, mas que agora usarei, não quero mais me referir a ele como detento ou apenado. Numa determinada etapa, tendo Carlos alcançado o direito ao regime semiaberto, não encontrando vaga em local adequado, eu lhe deferi prisão domiciliar. Carlos desta maneira passou a cumprir a nova modalidade de pena, seguindo todas as ordens da justiça. Entretanto, houve recurso sobre essa decisão, que foi provido, ou seja, Carlos deveria voltar para a cadeia. Foi assim que mandei expedir a ordem de recaptura. Sabendo da determinação, Carlos fugiu, desapareceu. Meses depois acabou sendo localizado, preso e recolhido na unidade prisional. Passados poucos dias da recaptura, numa noite qualquer, a mãe de Carlos telefonou para a prisão. Ela dizia que iam matar seu filho. Quando os agentes foram fazer a verificação, encontraram apenas o corpo inerte de Carlos, embaixo de um chuveiro, com perfurações em vários lugares, sem vida. Soube da morte poucas horas após e resolvi que no dia seguinte iria até a unidade prisional. Como juiz corregedor do sistema prisional eu devia olhar para os detentos, para os trabalhadores do sistema, para a prisão.

Foi o que fiz, após a conturbada noite de sono. Sob impiedoso sol, acompanhado de um assessor, cheguei na penitenciária e me dirigi à sala do diretor. Lá conversamos sobre a cadeia e o porquê da minha inspeção. Em seguida fomos todos ao pavilhão dos fatos. Quando a porta da galeria se abriu, um bafo quente soprou de dentro para fora, fazendo com que sentíssemos o cheiro da prisão, aquele cheiro característico e que só experimentamos em depósitos humanos desprovidos de saneamento, ventilação e insolação. O cheiro tão bem retratado no filme vencedor do Óscar “Parasita”, e tão sensivelmente decifrado pela admirável desembargadora paulista Kenarik [Kenarik Boujikian], em artigo para o site Justificando.

Sem mais, entramos no corredor da galeria. Os primeiros detentos que me viram logo chamaram os demais, avisando que o “Buch” estava na casa. Em segundos, dezenas deles se agruparam na grade que nos separava. Expliquei-lhes que minha presença se devia à morte de Carlos, mas que não estava lá para investigar, para tratar de descobrir o(s) autor(es) do homicídio e sim para ver se eles estavam seguros. Pedi que pensassem na aflição que as famílias deles, mães, pais, filhos, cônjuges, estavam sofrendo, temendo pela vida deles. Por isso eu lá estava, para tentar compreender a situação e assim exigir das autoridades providências. Respondi a várias perguntas é claro, sobre os processos de cada um, sobre saídas temporárias, progressões ao regime aberto, visitas etc. E ouvi muitas reclamações, em especial quanto a vestuário e alimentação. Por fim, perguntei se eu poderia entrar na galeria, no corredor e nas celas onde eles estavam. Todos concordaram. Mandei abrir a grade e entrei, na verdade, entramos, o diretor e o assessor entraram comigo, mas prefiro descrever a experiência no singular, porque ela foi singular.

Assim que pisei no lado de dentro, a grade logo se fechou atrás de mim. Por breves minutos, respeitadas todas as proporções, eu senti como era estar preso, com a sensação de que meu direito de ir e vir não mais existia e meus passos não mais me pertenciam. Um detento, mais à vontade, falou-me que fazia três meses que andava por aquele corredor, de lá para cá, à espera de uma autorização para trabalho externo durante o dia. Anotei o nome para verificar o processo. Não ingressei totalmente nas celas, pois percebi o constrangimento dos detentos, sempre educados. Por mais que eles me mostrassem as falhas da estrutura, apontando seus dedos para o teto e para os cantos, eu não poderia invadir sua morada. Fiquei sempre na porta, com meio corpo para dentro. Depois fui até o final do corredor e, no banheiro coletivo, sem ninguém nele, entrei. Lá, por entre azulejos quebrados das paredes, fiações expostas no teto e nos canos de água, atrás de uma cortina de plástico eu vi o exato local onde o corpo de Carlos foi encontrado. Fotos já tinham sido enviadas ao processo e eu delas tomara conhecimento. Por isso eu não vi só o local, eu vi o próprio Carlos. Lá estava ele, caído na minha frente, em desespero, retorcendo-se e pedindo por socorro. Era tarde demais, eu chegara tarde demais.

Esse é o sistema de justiça criminal. Mando pessoas para a prisão e as condeno à morte. Quem está preso está sob a custódia do estado! Foi o estado que criou as facções, foi a cegueira e a complacência, com doses intensas de violência e absoluto desprezo pelos requisitos mínimos para uma vida digna no cárcere que fez nascer os grupos para-legais que tomaram as cadeias em todo o Brasil. Como não assumimos essa responsabilidade? Todos os dias detentos são assassinados país afora. São pretos, são pardos, são pobres. São jovens, muito jovens. Por isso não sei se quero ficar mais nisso, pertencer a esse sistema cruel, violento, desgraçado. Lembro do Valois, meu amigo e irmão, juiz em Manaus, que passou pelo que passou, e ainda está lá, enfrentando o Leviatã. Não sou tão forte.

Comecei a escrever este texto para me salvar. Estou em casa e já é tarde da noite. A esta altura cheguei a uma inexorável conclusão. Minha escrita é irrelevante, minhas escritas são irrelevantes. Nada pode me salvar, nada pode modificar o passado e o que escrevo pouco importará ao futuro. Está sendo assim durante estes anos em que tenho construído essas narrativas. Nada melhorou, nada! Pelo contrário, tudo piorou, todo o sistema, toda a violência, todo o ódio. Escrevo porque sou egoísta, porque o pássaro azul de Bukowski que vive em meu peito me obriga, nada além disso.

Olho pela janela. A rua lá embaixo está deserta. O ar continua abafado. Os galhos das árvores, os arbustos não se movem. Não há uma brisa sequer. Penso em Carlos, na mãe de Carlos. E penso na prisão. Eu saí dela, mas ela não saiu de mim.

João Marcos Buch tornou-se juiz aos 24 anos. Nos últimos anos à frente da vara de execuções penais da Comarca de Joinville-SC, por meio de projetos culturais como literatura no cárcere, música e arte, mais diálogos em todos os ambientes, provocou mudanças de pensamento na sociedade, que passou a demandar investimentos no sistema prisional como condição para respeito à dignidade da pessoa humana e redução da violência. Mestre em hermenêutica constitucional, pós graduado em criminologia e política criminal, com livros técnicos publicados, já visitou penitenciárias na Alemanha, Itália, França e EUA, onde pode avaliar as políticas públicas relativas aos direitos fundamentais, é formador da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados, lecionando para juízes recém ingressos em vários Tribunais do país. Pautado pela ética, é autor de livros técnicos, romance, novela e livros de crônicas sobre sua vida como juiz.

OBRAS PUBLICADAS

Jurídicas:
O novo regime da prisão cautelar a partir da lei n. 12.403/11: O paradigma constitucional garantista (Editora Conceito); Execução penal e dignidade da pessoa humana (Coleção Para entender Direito, Estúdio Editores.com); Execução penal aplicada: Anotações para redução de danos (Editora Giostri).

Literárias:
Encontre-me no café em Paris (Editora Insular); Crônicas relatos vivências (Editora Giostri); Diário de bordo de um juiz das causas humanas (Editora Giostri); Retroceder jamais (Editora Giostri); Juiz de si juiz do mundo (Editora Giostri); Juiz achado na rua (Editora Giostri); Tortura (Editora Giostri); Crônicas de um juiz que solta (Editora Giostri); Um juiz na era do ódio (Editora Giostri).

coletânea ‘Antifascistas — contos, crônicas e poemas de resistência’

Coletânea terá pré-lançamento em março na Printemps Littéraire Brésilien e trará eventos com mesas e debates em várias cidades do Brasil

IMG-20200218-WA0108
Capa de Claudio Duarte

A gueto divulga com exclusividade a capa da coletânea Antifascistas — contos, crônicas e poemas de resistência (Editora Mondrongo, 2020), organizada por Carol Proner e Leonardo Valente, uma das publicações de literatura política mais aguardadas deste ano. Com 32 escritores e escritoras de Brasil, Portugal e Angola, a obra apresenta contos, poemas e crônicas críticos não apenas aos desmandos de governos de extrema direita e que flertam com o fascismo, como também contestadores de uma sociedade cada vez mais dominada pelo conservadorismo, pelo radicalismo e pelo preconceito.

“Tendo como base a proposta geral da obra, foi dada liberdade temática, estilística e de formato a todas as escritoras e escritores convidados. Se necessário, crônicas poderiam extravasar seus limites para flertarem com artigos e ensaios, contos podiam parecer crônicas, e crônicas se aproximarem de contos, poemas ganharam carta branca para figurarem como desejassem seus poetas nas páginas, e ficção e realidade tiveram permissão para chegarem de mãos dadas ou bem separadas. A livre expressão em todas as suas dimensões foi mais um contraponto proposital ao engessamento conservador, limitador e classificador típico do fascismo de ontem e de hoje”, diz um trecho do texto de apresentação do livro.

A capa, um alerta para a volta da censura e da repressão de tempos sombrios, é assinada pelo ilustrador, caricaturista e designer gráfico Claudio Duarte, vencedor do Prêmio Esso na categoria Artes Gráficas, sete vezes premiado pela The Society for News Design (SND) e com diversos trabalhos em grandes editoras e jornais brasileiros.

Agenda de lançamentos

Banner Lançamento Mondrongo livro Antifacistas
Arte de Claudio Duarte

Dois eventos de pré-lançamento da coletânea acontecerão em março em Paris, França, e em Braga, Portugal, durante a Primavera Literária Brasileira, maior evento de literatura brasileira no exterior. No Brasil, todos os eventos de lançamento contarão com mesas e debates sobre autoritarismo, censura, capitalismo pós-democrático, literatura política e vários outros temas, com a participação dos escritores e das escritoras que colaboraram com a obra. Entre as cidades já confirmadas estão Salvador, Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo e Belo Horizonte. A agenda completa, que deve se estender durante todo o ano, será divulgada em breve.

Participam da coletânea André Diniz, Bárbara Caldas, Carol Proner, Christiane Angelotti, Cinthia Kriemler, Cristina Judar, Cristina Serra, Eliane Potiguara, Fernando Molica, Gustavo Felicíssimo, Hildeberto Barbosa Filho, Jeferson Tenório, João Ximenes Braga, José Eduardo Agualusa, Juliana Neuenschwander, Leonardo Tonus, Leonardo Valente, Luis Fernando Veríssimo, Marcelo Moutinho, Marcia Denser, Maria Valéria Rezende, Micheliny Verunsky, Nívia Maria Vasoncelos, Pilar de Río, Regina Zappa, Rodrigo Novaes de Almeida, Rosângela Vieira Rocha, Sylvio Back, Stella Maris Rezende, Urariano Mota, Valter Hugo Mãe e Wanda Monteiro.

Links com os trabalhos e contatos de Claudio Duarte:
[ http://www.claudioduarteilustracao.com/ ]
[ https://www.instagram.com/ilustradorclaudioduarte/ ]

gueto entrevista Leonardo Tonus

leonardo_tonus
Fotografia de André Argolo

1. Para começar, conta um pouco sobre o livro Inquietações em tempos de insônia (Editora Nós, 2019)?

O conjunto dos poemas que compõe a antologia Inquietações em tempos de insônia foi redigido, em quase sua totalidade, entre o período eleitoral e os primeiros meses do governo atual. Não que eu pensasse na altura elaborar um livro que dialogasse com o momento político pelo qual atravessávamos. Meu ponto de partida era outro. Pelo ato da escrita, buscava, antes, entender o “trauma discursivo” a que éramos confrontados, e mais particularmente os que, como eu, trabalham com a literatura. Nunca o Brasil vivera um momento de tanta dor. Nunca o Brasil conhecera tamanha violência veiculada por seus representantes políticos, pela mídia e pelas redes sociais. Nunca, ao longo de toda a nossa história, a palavra fora tão atacada no Brasil. Durante este período (e ainda hoje), assistimos, como evoco no poema “Menino-pássaro”, à morte anônima e solitária da palavra “abandonada, no meio-fio” das ruas. Ora, não há nada mais aterrorizador para quem com a palavra trabalha e que em sua capacidade de fazer emergir o cuidado para com o outro acredita, do que ver a palavra, assim, pisoteada em praça pública. Vivi este momento de maneira traumática sentindo corporalmente os seus efeitos nefastos. Os primeiros textos da coletânea decorrem deste sentimento e de minha impotência diante dessa tragédia. Eles evocam este corpo social à beira do abismo presenciando a vertigem das perdas e da crença no poder da palavra. Não sei se dos abismos consegui (e conseguimos) retornar. De todo modo, fica aqui o registro desse grito tão necessário.

2. Como costuma ser seu processo de criação? E como foi esse processo com Inquietações em tempos de insônia?

Antes de me dedicar à literatura trabalhei durante muitos anos no Brasil como músico. Estudei piano e, posteriormente, ingressei a universidade no curso de Composição e Regência. Não que a música exija mais do que outras práticas artísticas ou científicas, mas o rigor metodológico que ela impõe deixou marcas profundas em minha formação e em minha atuação de docente, de pesquisador e de escritor. Prezo pelo rigor, aprecio a organização sistemática, cumpro horários pré-definidos, componho diariamente listas de tarefas redigindo de maneira metódica meus cursos, artigos acadêmicos e poemas. Meu exercício de escrita se aproxima, em grande parte, da prática do músico e, nomeadamente, do improviso jazzístico cuja arte reside justamente neste tênue equilíbrio entre rigor e liberdade: o rigor do estudo para absorver o material musical necessário ao improviso (citações de outras músicas, figuras rítmicas, fraseado relacionado do gênero em questão, etc.) e a liberdade da escolha no momento da performance em que se colocam em prática as conexões entre os elementos estudados e aquilo que nós executantes desejamos como resultado final. Mais perceptível em minha primeira antologia (Agora vai ser assim, Editora Nós, 2018) cujos poemas apontam em seus diálogos “inter” e “transtextuais” para um anarquivamento litero-cultural (Márcio Seligmann), em Inquietações em tempos de insônia tal postura se manifesta pela tensão inerente ao improviso (que não se restringe à sua tecnicidade) e que o estado de vigília em que nascem tais textos vem corroborar. Como afirma Márcia Tiburi ao citar a escritora Margueritte Yourcenar na apresentação da antologia: o homem que não dorme (e que não deixam dormir) se recusa ao fluxo das coisas. Há tempos que eu recuso os fluxos das coisas. Há tempos que eu não durmo e que vivo, tragicamente, a atualidade brasileira, nomeadamente em meus improvisos poemáticos.

3. O que você diria para quem está começando a escrever? Por que você começou a escrever?

Trata-se de uma pergunta quase impossível a ser respondida, sobretudo se levarmos em conta as motivações pessoais que levam à escrita. No que me diz respeito, ela decorre de uma urgência transformada em grito por justamente ainda não se saber palavra. Gosto de pensar minha escrita como este clamor capaz de expressar uma dor diante da impossibilidade de compreender as guerras, o racismo, a homofobia; diante da impossibilidade de conceber a tragédia dos refugiados. Neste sentido, coloca-se aqui menos a questão das motivações que me levaram ao exercício ficcional (que sempre é um exercício falho) do que o desejo de as fazer conhecer junto a um público leitor. Este talvez seja o grande desafio do processo de escrita: escrever para assumir publicamente suas falhas fazendo emergir, pela leitura, a experiência da hospitalidade, aquela que muitas vezes somos incapazes de praticar no cotidiano. Que conselho, neste sentido, dar aos jovens escritores? Que nunca percam de vista o que define, em minha opinião, a própria literatura: a capacidade de acolher e de reconhecer o outro. Ou como evoco no poema “Estar-em-comum” (Agora vai ser assim): a hospitalidade que sempre começa pela hospitalidade da língua de “nomear o outro que desconhecemos”, de “acolher em nossa língua o outro que não conhecemos”; a hospitalidade que nada espera, exceto o próprio “gesto da hospitalidade”: “um estar-em-comum, um respeitar-em-comum, um gesto, apenas”.

4. Como professor da Universidade Sorbonne, em Paris, e um dos principais divulgadores da literatura brasileira no exterior, que avaliação você faz do modo como os europeus enxergam nossa literatura e o Brasil, ontem e, principalmente, hoje, sob o impacto de um governo de extrema direita que ataca as universidades, a ciência e a cultura do país?

Para que leitores possam conhecer a nossa literatura fora do país é necessário que ela seja traduzida. Este foi um dos grandes desafios da política de soft power implementada pelo governo brasileiro ao longo dos anos 1990 e 2000, quando se deu o início do processo de internacionalização de nossos bens culturais, nomeadamente de nossa literatura. Criaram-se bolsas de tradução, o governo passou a apoiar a presença de escritores em eventos internacionais, incrementou-se a visibilidade de nossa literatura por meio da participação do país nas grandes feiras internacionais. Um grande quiproquó instala-se, no entanto, desde o início deste processo. Em minha opinião, ele diz respeito à incapacidade do país em optar entre uma verdadeira política em matéria de diplomacia cultural (fortalecendo a sua marca Nação pelo viés da cultura) e entre uma política de exportação de seus bens culturais permanecendo assim atrelado às leis do mercado e às forças do campo literário e de seus agentes que, como sabemos, compartilham interesses em comum mas que não dispõem dos mesmos recursos e competências (Pierre Bourdieu). O que dizer hoje da (não) presença de nossa literatura na cena mundial? Aliás como defender a literatura de um país confrontado a um poder totalitário? De um país que não defende os seus cidadãos? De um país que não respeita o meio ambiente? De um país que desmantela a sua educação ou que através de seus órgãos oficiais difama os seus atores culturais, como no caso da recente nota da Secom atacando a cineasta Petra Costa? O Brasil com o que sonhávamos já não existe, nem dentro e nem fora do Brasil.

5. Como surgiu a ideia da Printemps Littéraire Brésilien? Conta-nos um pouco sobre este projeto?

O projeto Printemps Littéraire Brésilien nasce dentro da sala de aula, nomeadamente em minhas aulas de literatura brasileira na Universidade da Sorbonne onde leciono há quase 20 anos. Ele tinha (e ainda tem) por objetivo fazer com que meus estudantes descobrissem a nova literatura brasileira pouco lida aqui no exterior. Foi em 2005, durante as comemorações do ano do Brasil na França, que comecei a receber escritoras e escritores brasileiros em minhas aulas. Diante da boa recepção por parte de meus estudantes decidi criar em 2013 a primeira semana Brasil na Sorbonne que, em 2014, se transformou na Printemps Littéraire Brésilien. Desde sua criação mais de 200 autores já participaram do evento que, em 2016, ganhou uma dimensão internacional com apresentações realizadas em países europeus e em diversas cidades nos Estados Unidos. As atividades da 7ª edição do festival conservam ainda seu caráter colaborativo, participativo e itinerante. Elas começam agora no mês de fevereiro na Universidade de Indiana (Bloomington) e prosseguirá por cinco países europeus (França, Portugal, Bélgica, Itália e Alemanha). Retornaremos aos Estados Unidos no mês de abril com atividades programadas em 12 universidades norte-americanas. Para além da participação de mais de 70 convidados (autores, editores, jornalistas, ilustradores, etc.), contaremos este ano com a parceria de diversos atores do mundo do livro no Brasil e no exterior (revistas literárias, editoras, livrarias, blogs, etc.). Felicito-me da parceria estabelecida com a Revista Gueto que, ao longo do ano, acolherá textos ficcionais e ensaísticos redigidos pelos participantes da Printemps Littéraire Brésilien em torno do tema: “Brasil : (im)possíveis diálogos”. Este será um momento profícuo para debater, entre outros, os possíveis e impossíveis caminhos que se abrem à nossa cultura e à nossa produção literária. A nossa maneira de contribuirmos, criticamente, a uma possível política de diplomacia cultural, se esta ainda for possível no contexto atual.

printemps_2020_b
Ilustração de Vitor Rocha

Leonardo Tonus é professor Livre Docente em literatura brasileira na Sorbonne Université (França). Em 2014 foi condecorado pelo Ministério de Educação francês Chevalier das Palmas Acadêmicas e, em 2015, Chevalier das Artes e das Letras pelo Ministério da Cultura francês. Curador do Salon du Livre de Paris de 2015 e da exposição Oswald de Andrade: passeur anthropophage no Centre Georges Pompidou (França, 2016). É o idealizador e organizador do festival Printemps Littéraire Brésilien. Publicou diversos artigos acadêmicos sobre autores brasileiros contemporâneos e coordenou a publicação, entre outros, de Samuel Rawet: ensaios reunidos (José Olimpio, 2008) e das antologias La littérature brésilienne contemporaine — spécial Salon du Livre de Paris 2015 (Revista Pessoa, 2015), Olhar Paris (Editora Nós, 2016), Escrever Berlim (Editora Nós, 2017) e Min al mahjar ila al watan — Da Terra de Migração Para a Terra Natal (Revista Pessoa, Abu Dhabi Departement of Culture and Tourism/Kalima, 2019). Vários de seus poemas foram publicados em antologias e revistas nacionais e internacionais. É autor de duas coletâneas de poesia: Agora vai ser assim (Editora Nós, 2018) e Inquietações em tempos de insônia (Editora Nós, 2019).

capa_inquietacoesTrês poemas do livro Inquietações em tempos de insônia (Editora Nós, 2019), de Leonardo Tonus, saíram na revista gueto no dia 23 de janeiro, você pode ler aqui: [link]

printemps littéraire brésilien 2020

printemps_2020_a

Brasil: (im)possíveis diálogos?

O Printemps Littéraire Brésilien inscreve-se numa perspectiva pedagógica e se estende aos campos da promoção e divulgação da cultura e da literatura lusófonas. Trata-se de um encontro anual inicialmente idealizado para promover e ampliar a formação de estudantes em letras inscritos nos cursos de português em instituições de ensino. Desde a sua criação, em 2014, pelo professor Leonardo Tonus (Sorbonne Université) o evento já se consolidou como um importante espaço de discussão literária, potencializando leituras e enriquecedoras experiências culturais em torno da língua portuguesa.

Entre fevereiro e junho de 2020, mais de 70 romancistas, contistas, poetas, ensaístas e atores ligados ao mundo do livro latino-americano, norte-americano e europeu participarão da 7ª edição do Printemps Littéraire Brésilien que acontecerá em cinco países europeus (França, Portugal, Itália, Alemanha e Bélgica) e em diversas cidades dos Estados Unidos. Debates, leituras, saraus literários, ateliês de escrita criativa e lançamentos de livros serão organizados em livrarias, centros culturais, espaços institucionais ou voltados ao ensino primário, secundário e universitário. O conjunto das atividades compreende uma comissão organizadora composta por diversos atores do mundo do livro (editores, escritores, professores, estudantes em letras) do Brasil, da Europa e dos Estados Unidos.

Delegação oficial do Printemps Littéraire Brésilien 2020

Aciomar de Oliveira, Afonso Borges, Alexandre Marques Rodrigues, Alexandre Rabelo, Alexandre Ribeiro, Ana Squilanti, Angélica Amâncio, André Diniz, Anna Monteiro, Bia Barros, Carolyne Wright (EUA), Christiane Angelotti, Daniela Kopsch, Débora Dornellas, Débora Ferraz, Débora Thomé, Felipe Fiuza, Flávia Rocha, Francesca Cricelli, Gustavo Faraon, Gustavo Gomes Araújo, João Guilhoto (Portugal), João Marcos Buch, João Nemi, Ivan Perez (Porto Rico), Karen Acyoli, Kátia Gerlach, Krishna Monteiro, José Delpino (Venezuela), Júlia Medeiros, Leonardo Gil Gómez (Colômbia), Leonardo Tonus, Leonardo Valente, Lisa Ginzburg (Itália) Lúcia Bettencourt, Luciano Dutra, Lucas Verzola, Lucius de Mello, Maira Garcia, Manuella Bezerra de Melo, Marcelo Moutinho, Márcia Tiburi, Márcio Benjamin, Maria Esther Maciel, Mariana Pacor, Mariana Salomão Carrara, Martha Batalha, Michele Santos, Mel Adún, Mirna Queiroz, Natalia Borges Polesso, Paulo Dutra, Patricia Lino, Rafa Carvalho, Pedro Ferreira, Rafa Ireno, Ricardo Maciel dos Anjos, Reginald Gibbons (EUA), Roberto Parmeggiani (Itália), Rodrigo Ciriaco, Rodrigo Novaes de Almeida, Rosângela Vieira Rocha, Rubens Casara, Simone Campos, Simone Paulino, Susanna Busato, Tércia Montenegro, Thaïs Linhares, Tiago Germano, Tiago Novaes, Vinícius Portella, Virna Teixeira, Wagner Schwartz, Wallace Andrade, Yasmin Portales (Cuba).

Criação e organização

Leonardo Tonus (Sorbonne Université)

Design e ilustração

Vitor Rocha [ https://vitorrochae.com/ ]

Instituições parceiras do Printemps Littéraire Brésilien 2020

Sorbonne Université, Maison de l’Amérique Latine, Fondation Jean Jaurès, Université Paris Nanterre, Université Paris 13, Université Paris 8, Université Paul Valéry (Montpellier 3), Université Rennes 2, Université de Lille, Université du Havre, Université Jean Moulin- Lyon 3, Ecole Normale Supérieur (Lyon), Lycée International de l’est parisien, Université Libre de Bruxelles, Freie Universität, Universität Leipzig, Heidelberg Universität, Universität Hamburg, Universidade do Minho, Indiana University Bloomington, University of Chicago, Ohio State University, Northwestern University, The Pennsylvania State University, Brown University, Columbia University, University of Massachusetts Dartmouth, University of Boston, University of New Mexico, University of Iowa, University of Washington.

Em colaboração com

Revista Cult, Revista Pé de Moleque, Revista Gueto, São Paulo Review, Revista Pessoa, Revista Lavoura, Canal Livrada, Lusojornal, Editora Dublinense, Editions Le Lampadaire, Editora Mondrongo, Editora Nós, Editora Reformatório, Editora Urutau, Livraria Baleia, Librairie Portugaise et Brésilienne, Livraria Mandarina, Livraria Quixote, UBE (União Brasileira de Escritores).

Na revista gueto conheça também

A coletânea de contos e poemas Degredo, especial dores de partida, para download livre, com 40 autores tratando de temas como refugiados, imigrantes, exilados, expatriados, retirantes, etc. E ainda os especiais de ficção Crianças da guerra, Civilização e barbárie e Direitos humanos e minorias.