coluna últimas páginas #3

ultimas_pag_2020Novidade inicialmente planejada para sair com exclusividade nas edições trimestrais da revista gueto, nas versões dos formatos PDF, MOBI E EPUB, esta coluna Últimas Páginas (o nome já diz, entrarão nas páginas finais da revista) trará crônicas e informações sobre literatura, arte, política e demais assuntos de interesse de seu colunista, nosso editor-chefe, o escritor Rodrigo Novaes de Almeida. Mas a quarentena fez com que mudássemos os nossos planos. Pelo menos durante o confinamento, a coluna será aqui no portal e semanal, sempre aos sábados, para não alterar a programação das publicações semanais de segunda a sexta. Hoje, publicamos a terceira. Bem-vindxs!

Por Rodrigo Novaes de Almeida

CRÔNICA

Uma paisagem de outono

Rio de Janeiro, 30 de maio de 2020.

Enquanto o tratamento médico dava sinais
de que eu estava melhorando, mundos inteiros ruíam,
desapareciam completamente. Mundos que não voltarão
quando o confinamento passar, como os mortos.

Habitar sem intervalo este apartamento há semanas. Ou quase sem intervalo, com as idas ao hospital. Ver o mar da janela semiaberta do automóvel, da Uber ou do táxi; atravessar o túnel e contemplar a manhã ensolarada na orla de Botafogo, o Pão-de-Açúcar e as ruas desertas, tal como o calçadão.

Não há tráfego, os barcos e veleiros completam a paisagem da enseada.

Tanto tempo depois, retorno à minha cidade. Pensei que me sentiria um estrangeiro quando voltasse… Sem ninguém nas ruas o automóvel atravessa o Aterro do Flamengo — imagino que o sentimento seria o de ser um estrangeiro se houvesse toda a nossa gente nas ruas.

Não há aeronaves partindo ou chegando do Santos Dumont.

Em seguida, o automóvel entra em direção à Lapa para nos deixar no hospital na praça da Cruz Vermelha. Passamos sob os arcos e lembro-me das vezes em que estive aqui, com colegas ou amigos, nos anos em que trabalhei nas redondezas. Era comum beber um chope antes de ir para casa.

Nunca era um chope, e nunca uma lembrança me fez salivar como agora.

Minha mulher abre a porta do carro, ela pede para eu evitar usar as mãos, e depois que saímos — isto ocorre todas as vezes —, ela pega o frasco de álcool em gel para eu esfregá-las. Obedeço e sorrio sob a máscara. Ela não enxerga meu sorriso, talvez perceba meus olhos aflitos brilharem. Completaremos semana que vem nove anos juntos, entraremos no último ano de nossa primeira década (prefiro contar assim).

historia-880x528Todo momento é histórico, mas há momentos realmente históricos. Estamos vivendo um desses momentos realmente históricos. Outro dia pensei se não seria para estarmos realizando a famosa fantasia: o que você faria se realmente soubesse que tem apenas uns poucos dias de vida? Não sabemos quem sobreviverá a essa pandemia, estejamos confinados ou não, e escrever sobre este momento histórico terrível, e escrever sobre este momento realmente histórico e terrível com câncer, fazendo quimioterapia, faz com que eu me pergunte todos os dias: como? Não por que ou para quê. Como? Escrever com toda a sinceridade, escrever tudo o que consigo encerrar em mim dos acontecimentos, e de meus pensamentos e sentimentos mais verdadeiros, é a resposta que me satisfez dar a mim mesmo durante esse tempo. E assim tenho esse propósito de passar para as palavras ao menos um rastro de uma experiência autêntica.

O automóvel faz o caminho de volta. Vamos em direção à Cinelândia para pegar a via do Aterro outra vez. Lojas fechadas, lugares que frequentei diariamente durante anos, em uma vida anterior a esta. Vejo o Largo da Carioca, o final da Avenida Rio Branco, lembro-me dos cafés, dos sebos e das livrarias, das boutiques de relógios suíços (sempre fui um aficionado pelo mecanismo dessas máquinas) e das lojas de cutelaria.

Os dias se misturam e eu me recordo do Largo de São Francisco deserto dias antes, quando estivemos no entorno em um laboratório para eu fazer exames. Da faculdade de Filosofia fechada, de duas vidas atrás, ou são três já? De suas escadas antigas de madeira que rangiam sob nossos pés; éramos crianças aos 19 anos. Do jardim turco, onde eu me sentava a fim de escrever poemas ruins para as garotas e sonhava com diálogos filosóficos como os dos livros. Das sessões de cinema, e de uma mesa de conversa com a mãe do Glauber Rocha.

Ao sair do laboratório, passamos em frente ao Real Gabinete Português de Leitura, um dos lugares mais belos do mundo, ali, todo esse tempo. Era para lá que aquele rapaz de 19 anos ia quando se imaginava atemporal no mundo (deixo vago isto). Todas as portas estão fechadas. Todas as ruas, vazias. Um automóvel ou outro, e os dias passavam… Agora há mais gente nas ruas.

Enquanto o tratamento médico dava sinais de que eu estava melhorando, mundos inteiros ruíam, desapareciam completamente. Mundos que não voltarão quando o confinamento passar, como os mortos. Para quem ainda podia ficar em casa, e mesmo assim a morte poderia entrar, como entrou muitas vezes, não era, contudo, mais fácil do que para nós, não era apenas mais um dia à espera de uma vacina contra o vírus. Por outro lado, íamos e continuamos indo às ruas sabendo que cada saída é como apertar o gatilho de um revólver que está apontado para a própria cabeça, que nem um jogo de roleta russa.

Sobrevivi? Ontem e hoje, sim. É a resposta. A urgência, um sentimento que mesmo com todos os remédios tarjas pretas para dormir me deixavam insone (para que eu escrevesse!), até que os larguei, leva-me a outras questões, como: já não sei se isto é um fragmento do romance ou do diário. Em que pese o sentido da vida à pena da poesia, por que não?, tudo isto: um capítulo do romance Ensaio sobre a paisagem, que ora é novela, ora é ensaio, ora é diário. No entanto, logo eu sei que não colocarei no romance estas linhas.

Por essas ruas desertas em que a passagem do meu espírito, que é também corpo, mas que agora é também a química medicamentosa, que é também morfina há quase seis meses e todos os demais remédios para combater o câncer, se expande em tumultuosos pensamentos e sentimentos, eu convido o leitor em casa a vir comigo para dentro dessa paisagem de outono.

DICAS DE LEITURA

1. Em ficção, edição número 3 da Capitolina Revista, da escritora e editora Nara Vidal, no formato PDF para download livre. A número 4 já está disponível no site.

Link para o PDF: https://bit.ly/2XhcJSw
Link para o site: https://bit.ly/capitolina4

2. Artigo no El País “Cenas de uma pandemia de 1.500 anos atrás que se repetem hoje”, de Vicente G. Olaya. Pesquisa da Universidade de Barcelona destaca as surpreendentes semelhanças entre a pandemia do coronavírus e a praga de Justiniano que assolou o mundo em 541.

Link: https://bit.ly/36zt3SW

3. Laudelinas (e-book para download gratuito, 2020. Organizadoras: Rebeca Gadelha e Taciana Oliveira.)

laudelinas“O Brasil atualmente ostenta o quinto lugar mundial em feminicídio e o primeiro em feminicídio de mulheres trans e travestis. Somam-se a esses dados os inúmeros casos de violência sexual contra mulheres indígenas, a tentativa governamental de apagar a existência da população LGBTQ + e a conivência com uma estrutura social que provoca a manutenção do preconceito racial que vitima mulheres negras.

Laudelinas é uma provocação, um desabafo, uma canção denúncia e de resistência em um dos momentos mais nefastos da história do país. Nasce como uma coletânea de depoimentos, artigos, poesias, contos, fotografias e performances que procuram traduzir as constantes lutas das mulheres de diferentes etnias, trans e cis. Participam dessa edição autoras de todas as regiões do Brasil.”

Link: https://bit.ly/ebook_laudelinas

DICAS PARA ASSISTIR

Mesa: “Sonhos para adiar o fim do mundo”, com Ailton Krenak e Sidarta Ribeiro | #NaJanelaFestival da Companhia das Letras.

Esta mesa reunindo Ailton Krenak e Sidarta Ribeiro é imperdível e urgente em todos os sentidos. Krenak é imperdível e urgente em todos os sentidos. Tanto que estamos na terceira coluna e há indicações sobre ele em todas elas. Nesse bate-papo ele diz que nós precisaremos reconfigurar a gente para continuarmos a viver neste planeta. De forma poética, ele afirma: “Suspender o céu é ampliar os horizontes de todos os seres.”

Já para Ribeiro, a pandemia global é como se um automóvel estivesse capotando, e ele completa: “O carro ainda está capotando”. Não sabemos, portanto, qual será o estrago e como ele, carro, e nós, que estamos dentro dele, estaremos no fim do acidente. Se há realmente outro fim para nós nesse acidente, além do início da extinção da nossa própria espécie. Em determinado momento, Krenak diz acreditar que nós somos o único endereço desse vírus.

Sobre o que o governo de extrema direita de Jair Bolsonaro está fazendo (deixando de fazer) para evitar que mais pessoas morram, os dois são unânimes. Diz Krenak que “nós estamos sofrendo um assalto à nossa ideia de cidadania e àquilo que acreditamos constituir uma República.”. Para Ribeiro, que estende a crítica ao mundo todo, “o capitalismo se desacoplou da ciência para lucrar mais.” Desse modo, “o 1% mais rico resolveu ignorar a ciência”.

Ailton Krenak ainda comenta de forma dura sobre o vídeo recém divulgado da reunião ministerial de Jair Bolsonaro: “Nessa gaiola de porcos eu não esperava nenhum pássaro”.

Sidarta Ribeiro finaliza alertando que se não formos capazes de abraçar todo o planeta a gente não vai durar, seremos uma nota de rodapé na história do planeta.

Link: https://bit.ly/krenak_sidarta

INSTAGRAM

mirada_logoMirada | @miradajanela

Mirada é um projeto colaborativo, um espaço dedicado às artes. Vale conferir! O e-book Laudelinas, que indicamos como leitura, é de lá.

POESIA

Não. Juro pelo Sol, dos deuses príncipe.
Que eu pereça da morte mais ignóbil,
sem deus e sem amigos, tristemente,
se meu peito abrigar tais intenções.
O que meu peito abriga, o que me punge
E infelicita a alma é o temor
De ver em minha pátria, que se extingue,
Novos males somarem-se aos antigos.

(fragmento de Édipo Rei, o coro, p.72, de Sófocles na tradução de Domingos Paschoal Cegalla, Difel, 1999)

CITAÇÃO

“Como um homem que vem candidamente trazer o seu grão de areia para o deserto do Saara na ilusão de que o enriquece, seja-me permitido dizer: ‘Romance por amor da vida’. Os maiores romancistas da humanidade foram grandes adoradores da vida. É um erro pensar que o romancista inventa histórias para fugir à vida. Pelo contrário. O que o leva a escrever romances é o desejo tumultuoso de multiplicá-la!” (Erico Verissimo, em “Os problemas do romance”, Folha da Manhã, 13 de agosto de 1939. Do livro Figuras do Brasil: 80 autores em 80 anos de Folha [Publifolha, 2001])

FÓRUM DOS LEITORES

Por e-mail, identificando no título que é para este espaço, os leitores podem enviar comentários, elogios ou críticas a alguma publicação específica no portal, a alguma de nossas edições ou especiais, ou mesmo a algum autor. Os editores se reservam o direito de selecionar o que será publicado.

TIRA ERMITÃO URBANO

01_ovatio
Para quem usa Google Tradutor. No balão: Estou confinado neste apartamento escrevendo a obra-prima do meu tempo. No papel da mesa: Diário da pandemia. Covid-19.

A próxima coluna será publicada sábado, 6 de junho de 2020.

coluna últimas páginas #2

ultimas_pag_2020Novidade inicialmente planejada para sair com exclusividade nas edições trimestrais da revista gueto, nas versões dos formatos PDF, MOBI E EPUB, esta coluna Últimas Páginas (o nome já diz, entrarão nas páginas finais da revista) trará crônicas e informações sobre literatura, arte, política e demais assuntos de interesse de seu colunista, nosso editor-chefe, o escritor Rodrigo Novaes de Almeida. Mas a quarentena fez com que mudássemos os nossos planos. Pelo menos durante o confinamento, a coluna será aqui no portal e semanal, sempre aos sábados, para não alterar a programação das publicações semanais de segunda a sexta. Hoje, publicamos a segunda. Bem-vindxs!

Por Rodrigo Novaes de Almeida

CRÔNICA

A coleção de selos da infância

Rio de Janeiro, 23 de maio de 2020.

A minha filha completa hoje 15 anos de idade. Não passamos juntos o seu aniversário este ano, nem o meu, vinte dias atrás. Ela está com a avó no nosso apartamento em São Paulo e eu e a sua mãe estamos no Rio de Janeiro, confinados, há pouco mais de dois meses. O meu tratamento médico deve levar pelo menos mais um mês e saímos da casa dos meus pais apenas para ir ao hospital. Minha mãe, hipertensa e diabética, por outro lado, tem saído quase diariamente. Qualquer desculpa é motivo para ir à rua, como um tratamento dentário desnecessário para este momento. Já não ficamos mais perto dela nos ambientes comuns da casa, como sala e cozinha.

Mas a crônica deste sábado não é sobre a saudade da filha ou as dores de um coração aflito causadas por familiares irresponsáveis. Se bem que a causa é a saudade da filha, sim. Minha crônica de hoje é para lembrar a infância, tanto a de Amanda, quanto a minha — mais tarde faremos uma videoconferência, este sinal de novos tempos. Temos bastante coisas em comum, uma delas é um gosto especial por lupas. Amanda tem duas, iguais, com haste preta. Eu já tive três. A da infância mesmo, que acabo de encontrar em meu antigo quarto do apartamento dos meus pais. Junto com a lupa, daquelas baratinhas de plástico transparente e com riscos, sinais inequívocos de uso, recuperei de dentro das gavetas os dois álbuns grandes com a minha coleção de selos. Um álbum só com selos nacionais. Outro com os estrangeiros. Na lupa, em alto relevo transparente, a inscrição “Selos de todo o mundo”.

Uma segunda lupa, que serve também como peso de mesa, é uma meia esfera maciça, e ganhei na adolescência, de meu pai. Deixava em cima de uma das minhas escrivaninhas (cheguei a ter também três escrivaninhas em meu quarto, é um quarto grande, espaçoso mesmo dividindo-o, naquela época, com meu irmão caçula). A terceira lupa, muito semelhante às duas que a Amanda tem, perdi em algum momento esquecido, ou quebrou e joguei fora. De todo modo, meu desinteresse pela filatelia já era completo aos 13, 14 anos. Também só vim a usar óculos depois dos 40, então letras miúdas não eram problema. Hoje, além dos óculos (divirto-me escolhendo armações e admito ter dado uma desculpa esfarrapada quando a minha mulher precisou trocar seus óculos e eu escolhi outra armação para os meus sem necessidade), vivo pedindo uma das lupas emprestadas da Amanda, e aqui no Rio, em quarentena, depois de ter encontrado a pequena lupa de plástico, mesmo toda riscada, a tenho usado bastante, principalmente para ler revistas e jornais das décadas de 1980, 90 e anos 2000 que acumulei nesses anos e ficaram perdidas aqui.

Junto com a coleção de selo e a lupa, encontrei e guardei para levar para São Paulo duas pinças, uma de plástico preta e outra de metal, além de selos avulsos repetidos dentro de um envelope. A Amanda já guarda numa caixa, há uns três ou quatro anos, selos de correspondências que eu e a sua mãe recebemos, especialmente dos envelopes com livros que muitos autores nos enviam para a gueto. Sempre comentei sobre a minha coleção, que todo este tempo estava no Rio, e a incentivei, moderadamente, que se interessasse. Vejo que a prova mesmo de interesse será daqui a algumas semanas, quando eu retornar com essas maravilhas (ou quinquilharias, para uns) à nossa casa.

02_selo_de_gato_1A bem da verdade é somente uma: em mim o interesse por filatelia se renovou, os leitores já devem ter percebido nestas linhas o meu entusiasmo. Procuro, por exemplo, há semanas, selos de gatos (e este tema pode ser um apelo para que a Amanda participe comigo dessa incrível jornada filatélica! Nossa gatinha de um ano e pouco morreu há um ano, de uma doença pulmonar causada por um tipo de coronavírus). Se um leitor que colecione tiver selos repetidos desses animais supremos, por favor, mande cartas para a redação da revista, que é, por coincidência, o meu endereço. E não selem a carta, coloquem os selos dentro do envelope. Ficarei agradecido e escreverei uma crônica nova para contar o episódio e a alegria que sentirei, ou, se o meu plano funcionar, sentiremos, minha filha e eu.

Admito que dias atrás, voltando do hospital, cheguei a ir à esquina, na banca de jornal, perguntar se havia cartelas de selos. Nada mais anos 1980. O jornaleiro me olhou não sei se sem entender o que eu pedia ou se, tendo entendido, incrédulo; se ele for um aficionado por revistas de ficção científica deve ter pensado que eu era um viajante do tempo e estava perdido na rua Gustavo Sampaio, no Leme. Já vejo a história inteira à minha frente. Sou uma espécie de antropólogo que volta ao passado para pesquisar a época em que a humanidade ficou em quarentena no século XXI, mas, por anacronismo, procuro objetos que já não são desse mundo. “Volte 40 anos, senhor!”, diria o jornaleiro se estivesse certo sobre a minha identidade.

Agora é pensar no futuro, em uma nova coleção de selos, talvez temática, talvez sobre gatos (na verdade, nesse meio-tempo de escrita desta crônica, encontrei sites de colecionadores que vendem selos e fiquei bastante interessado em uns da antiga Alemanha Oriental), guardar a da infância, exatamente como ficou todas essas décadas, claro! E assim uma nova coleção requererá também uma nova pinça, novos álbuns e… uma nova lupa. Uma como a que vi numa lojinha de esquina numa das ruas estreitas de Veneza, perto da praça de São Marcos, onde entrei, dez anos atrás, para comprar uma caneta tinteiro, a mais em conta da loja porque o dinheiro nunca foi muito, apesar de aqueles terem sido dias melhores, caneta belíssima, a tenho na caixa ainda, um presente que me dei na única viagem que fiz à Itália. Outro dia descobri que a lojinha tem um site, que até vende para outros países, mas apenas da União Europeia, ou para os Estados Unidos. Terei que voltar lá, portanto, para ter a lupa da minha nova coleção de selos. Banalidades, reconheço. Há dias que precisamos delas. Enquanto isso, uso a lupa baratinha da minha infância.

PS.: Este texto me lembrou um heterônimo que criei exclusivamente para ser um cronista. Gostava da sua verve mais para humor do que para o trágico ou o grotesco da condição humana, que sempre apareceram na minha prosa ficcional. Ele se chamava Josué Francisco Fernandes. Talvez vocês tenham se esbarrado com ele por aí, pela rede.

DICAS DE LEITURA

1. Mais uma indicação de leitura de texto de Ailton Krenak, sempre necessário. Trata-se de “do tempo”, sua participação no Seminário Perspectivas Anticoloniais, Sesc Avenida Paulista, 6 de março de 2020.

Link: https://n-1edicoes.org/038

2. A pesquisadora Rosane Borges explica como o conceito de necropolítica se relaciona com racismo, a ideia da eliminação de um inimigo e as favelas. “O que é necropolítica. E como se aplica à segurança pública no Brasil”, 25 de setembro de 2019.

Link: https://bit.ly/2LPA60f

3. Pandemia democratizou poder de matar, diz autor da teoria da ‘necropolítica’. Filósofo camaronês Achille Mbembe estuda como governos decidem quem viverá e quem morrerá, por Diogo Bercito, na Folha de S.Paulo.

folha_spLink: https://bit.ly/2zX2X06
Link alternativo aberto: https://outline.com/2rktX2

 

4. Duas indicações de leitura (com comentários) de Giovanna Dealtry, professora da Uerj:

Z_cultural_ValeriaI. “De tudo que li sobre nós e a pandemia, esse depoimento da antropóloga feminista Valeria Ribeiro Corossacz, professora na Itália, me parece o mais lúcido e o menos preocupado com futurologias. Traz muito mais perguntas do que respostas. E é construído a partir do lugar da mulher.” Minha cidade: Espaço e tempo coletivos na Itália do coronavírus, de Valeria Ribeiro Corossacz.

Link: https://bit.ly/2Tvtpon

II. “Boaventura dos Santos é um dos grandes intelectuais do nosso tempo por entender que o pensamento intelectual precisa ser modulado, recriado a partir das novas urgências e, principalmente, não mais partindo da Europa para o resto do mundo. Como ele defende, esta é a época dos intelectuais da retaguarda e não das vanguardas. Um furo no ego da construção da figuração do intelectual. O intelectual da retaguarda, para além do intelectual orgânico, abdica da tarefa de ser a lanterna da época para seguir o fluxo sem rosto dos movimentos.” [e-book] A cruel pedagogia do vírus (Boitempo Editorial).

Link: https://bit.ly/36nqhQA

5. Coluna Arte fora dos centros, de Fred Di Giacomo. Lida dia 21, entrou aqui nas dicas aos quarenta e cinco do segundo tempo. Imperdível. “Amaro Freitas: o gênio do piano que o estado brasileiro não matou”, no Uol.

Link: https://bit.ly/2Tt6f23

DICAS DE INSTAGRAM

Prof. Claudinei Cássio de Rezende | @ccassior

07_puc_sp_arteClaudinei é professor de História da Arte e de Ciência Política. É também professor Doutor na PUC-SP e no MIS-SP. Em 2019, na PUC-SP, fiz seu curso de extensão “A Arte como expressão social da Renascença à Modernidade”. Seu Instagram é praticamente um complemento do curso. Nele, Claudinei coloca obras de arte com textos explicativos que, por si só, são aulas. Em tempo: o curso de extensão também vale muito a pena fazer, dura um semestre letivo.

n-1 edições | @n.1edicoes

A editora disponibiliza bastante material gratuito, de ficção e de não ficção, são contos, ensaios e artigos. Mas tem que garimpar.

POESIA

Ubiquidade, de Manuel Bandeira

Estás em tudo que penso,
Estás em quanto imagino;
Estás no horizonte imenso,
Estás no grão pequenino.

Estás na ovelha que pasce,
Estás no rio que corre:
Estás em tudo que nasce,
Estás em tudo que morre.

Em tudo estás, nem repousas,
Ó ser tão mesmo e diverso!
(Eras no início das coisas,
Serás no fim do universo).

Estás na alma e nos sentidos
Estás no espírito, estás
Na letra, e, os tempos cumpridos,
No céu, no céu estarás.

Petrópolis, 11 de março de 1943.

CITAÇÃO

“Luís XIII, aos oito anos, faz um desenho semelhante ao desenho feito pelo filho de um canibal da Nova Caledônia. Aos oito anos ele tem a idade da humanidade, tem pelo menos 250 mil anos. Poucos anos mais tarde ele os perdeu, já não tem mais do que 31 anos, tornou-se um indivíduo, não é mais que um rei da França, impasse do qual não sairá jamais. O que é pior do que ser acabado?” (Henri Michaux)

A Editora Patuá faz algo bem bacana, pede aos autores uma citação para colocar no cólofon dos seus livros, que é a nota final de um impresso. Encontra-se atualmente em um cólofon as seguintes informações: o nome do impressor e/ou do editor, o lugar e a data da impressão, às vezes o número da tiragem. A citação acima escolhi para o meu livro Das pequenas corrupções cotidianas que nos levam à barbárie e outros contos, de 2018.

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revista_guetO1Somos um portal que acredita no poder da internet como ferramenta para compartilhar conhecimento. Financiar iniciativas desta natureza é uma oportunidade de contribuir para a transformação da cultura. Anuncie conosco ou seja um patrocinador fixo com sua marca vinculada a este projeto literário de sucesso, celeiro de novos autores em língua portuguesa. Também aceitamos apoio de pessoas físicas para mantermos a gueto no ar. Saiba mais no [link].

DICAS PARA ASSISTIR

Canal no YouTube de Noam Chomsky em português.

Link: https://bit.ly/Chomsky_tv_pt

Na página da Câmara Municipal de Matosinhos estão disponibilizados os vídeos do Festival Literatura em Viagem.

Link: https://bit.ly/cmm_fest-literato

Em 10 de dezembro, Clarice Lispector completaria seu centenário, e, em sua homenagem, a TV Cultura preparou um programa especial para trazer à luz a memória da escritora. Apresentado por Adriana Couto e disponível no YouTube.

Link: https://youtu.be/fs0Rt-_vkMM

OS LEITORES PERGUNTAM

Espaço aberto a perguntas dos leitores ao editor sobre qualquer assunto, literatura, coluna anterior, revista gueto, assuntos atuais e o que mais der na telha. Enviar para o e-mail editorgueto@gmail.com com título “Pergunta ao editor”, e o leitor aceita que, junto à pergunta, seu nome verdadeiro e o link para uma rede social, site ou blog de sua autoria, ou seja, que o identifique, sejam também publicados no espaço.

Fábio Paim pergunta: A pandemia pode ser o fim de muitas livrarias físicas que ainda resistem? Por outro lado, as pessoas estão aproveitando o distanciamento social para ler mais? Há alguma previsão sobre o efeito do Covid-19 sobre o mercado editorial?

Resposta: A pandemia será o fim de muitas coisas, ainda é cedo para mensurar o que vem por aí. Por outro lado, quem já lê, pode estar aproveitando para ler mais. Recentemente respondi questão semelhante numa entrevista, em que relatei que soube de algumas livrarias que estão vendendo bem até. Mesmo assim, a situação das grandes redes de livrarias, que já era complicada antes da pandemia, deve piorar. Com as editoras, a mesma coisa. A prioridade da maioria da população brasileira é comprar comida, e logo esta também será uma prioridade para quem costuma comprar livros com frequência. E aqui peço licença para repetir o restante de minha resposta, que considero indispensável dizer: O mercado livreiro é um setor que precisa de ações governamentais, não falo apenas a respeito dos livros didáticos, mas também de literatura, esta excentricidade quase absoluta no nosso país. Se tivéssemos hoje um governo de esquerda, ficaríamos melhor assistidos, todos nós. Mas esse governo de extrema direita é o pior que poderíamos ter em qualquer tempo da nossa história, porque o que fazem é necropolítica (no sentido colocado pelo filósofo, historiador e teórico político camaronense Achille Mbembe, de o Estado escolher quem deve viver e quem deve morrer).

PARA QUEM PERDEU

Entrevista ao Blog Études Lusophones, de Leonardo Tonus, em 29 de junho de 2019, sobre literatura, mercado editorial, Brasil e política [link] e entrevista para José Nunes no projeto “Como eu escrevo” em 6 de maio de 2018 [link].

A próxima coluna será publicada sábado, 30 de maio de 2020.

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Por Rodrigo Novaes de Almeida

CRÔNICA

Referências literárias

Rio de Janeiro, 16 de maio de 2020.

Recentemente, numa entrevista*, me perguntaram quais seriam os escritores que teriam me influenciado. Dei uma resposta bonita, sem citar nomes, e saindo pela tangente. Eu disse:

Essa história de referências é complicada. Talvez para alguém mais jovem isso ainda seja mensurável. Aprende-se copiando muito. Mas depois de algumas décadas a humanidade inteira, de todas as épocas — os que viveram, os que vivem e os que ainda viverão —, estará sedimentada em você. Contudo, você pode continuar a ser pelo resto da vida aquele garoto copiando seus autores prediletos, coisa de fã, não literatura.

Mas a verdade é que eu não sabia mais para quem apontar o dedo: Ernest Hemingway, Fiódor Dostoiévski, Friedrich Nietzsche, Hermann Karl Hesse, Liev Tolstói, João Guimarães Rosa, Álvares de Azevedo, Castro Alves? Tolstói não seria, porque passei a ler os seus livros depois dos 30 anos, ao contrário de Dostoiévski, com quase todas as suas obras lidas e devoradas a partir dos 19. Evidentemente que cada um desses autores, e de muitos outros, me marcaram bastante, mas poderia dizer: é este aqui?; ou: não, espere, é aquele?

Não. Só recentemente descobri de fato quem seriam esses escritores que teriam me influenciado de modo que os imitaria durante os primeiros anos de escrita diária e, para o jovem ingênuo que era, séria.

Minha estada no apartamento dos meus pais no Rio de Janeiro durante essa quarentena, que já perdura dois meses, para fazer um tratamento médico, fez com que eu entrasse em contato com centenas de livros que havia deixado para trás, em meu antigo quarto. Essa é uma história que se repete com muitos filhos que saem da casa dos pais, e que sempre dizem: um dia volto para pegar. Um ano se passa, dois, e quando você se dá conta já se foi uma década inteira.

É essa a minha situação. Os livros estão aqui, os meses de tratamento vêm sendo difíceis, e há, além disso, a quarentena por causa do novo coronavírus, o Covid-19, e se não fosse a força e o amor da minha mulher ao meu lado não sei se estaria aguentando o tranco.

As horas passam lentamente, e o meu confinamento precisa ser ainda mais rígido por conta da gravidade da doença. Passo, portanto, os dias e as noites lendo e escrevendo a segunda parte do meu romance, Ensaio sobre a paisagem (com previsão de lançamento para 2021), que está estruturado de modo diferente de como fiz com a primeira parte. Pouco tempo atrás, um breve fragmento saiu na terceira edição da revista Capitolina, da escritora e editora Nara Vidal.

A fartura de livros e o excesso de morfina não me deixam concentrar na leitura de um único livro — ou talvez seja o sentimento de urgência que tomou conta da minha vida, para ler tudo o que eu possa e escrever tudo o que eu consiga caso a Fortuna não esteja mais diante de mim, e sim um vírus ceifador —, então vivo hoje com a cama, a mesa de cabeceira e o chão ao lado da cama cheios de livros, para a cada instante pegar um.

Até que um dia desses me lembrei dos meus diários e cadernos da adolescência e da juventude, manuscritos dos 17 aos 26, 27 anos, aproximadamente. Quanto mais para trás no tempo, mais curiosos ficavam os textos, porque não eram realmente literários, e sim relatos de acontecimentos, depoimentos, confissões, material suficiente para o deleite de um psicanalista.

Relendo todo esse material, vinte, vinte e cinco anos depois, descubro dois escritores que me marcaram profundamente naqueles primeiros anos de escrita, Henry Miller e o psiquiatra anarquista Roberto Freire. Hoje, existem poucos resquícios deles na minha literatura (o que considero bom e sinal de que fui bem-sucedido no longo processo para me tornar de fato escritor). O primeiro, imitava o estilo e os temas. Estava tudo lá, principalmente em trechos inteiros de sua obra autobiográfica romanceada Nexus, um dos livros da trilogia A crucificação rosada. Trópico de câncer também havia lido. Do Freire, Sem tesão não há solução, Ame e dê vexame e o romance Coiote foram minhas leituras ainda mais novo, com 15 e 16 anos. Mas era Miller quem eu imitava de forma descarada, até em seus gostos literários, especialmente por Nietzsche e Dostoiévski, dos 19 até perto dos 28, quando comecei a me desligar da produção de diários, ou seja, de uma escrita ainda autobiográfica (nada a ver com autoficção), para me dedicar à ficção, em particular aos contos. Um dado curioso é que os contos dos meus anos vinte que sobreviveram são justamente aqueles em que eu não tentei emular Miller.

Também já não escrevia poemas, algo comum de cometer na adolescência, uma produção horripilante que em algum momento mais tarde tive o bom senso de jogar tudo fora. Outra curiosidade é ter encontrado uma pasta com uns poucos poemas escritos aos 10 anos, que, relendo-os, decidi guardá-los, por serem mais autênticos do que os clichês dos anos posteriores. Um dia, em circunstâncias diferentes, torno público esse material da infância nem um pouco constrangedor.

Por outro lado, quando jovem, pensava que logo escreveria um romance — seriam anos de tentativas e erros, de romances abortados e muita frustração, até que escrevesse um que pudesse dizer: este será publicado!, o que aconteceu somente este ano. E as reviravoltas que o mundo dá, antes de lançar o romance, em breve a Editora Urutau lançará meu primeiro livro de… poemas.

01_feelingAssim, nesses meses de tratamento, enquanto salto de um livro para o outro, releio Sem tesão não há solução e os longos trechos de Nexus marcados a caneta em um passado distante. Além disso, fiz o download para o Kindle de Colosso de Marússia, livro de Miller que desconhecia, e o leio também. Fora jornais e revistas das décadas de 1980, 1990 e 2000. Fora dezenas de outros livros, de Antonio Candido a Carlos Drummond de Andrade, de Albert Camus a Theodor W. Adorno. Fora os quadrinhos recortados de veículos de imprensa, como os da Mafalda, de Calvin & Haroldo, Non Sequitur e As cobras, do Luis Fernando Verissimo, de quem sou fã e que nunca imaginei que estaria em um livro, uma coletânea, junto com ele (em dicas de leitura, a de número quatro).

DICAS DE LEITURA

1. Krenak, Ailton. O amanhã não está à venda (Companhia das Letras, 2020). Edição do Kindle.

krenak_covid19[TRECHO] “Faz algum tempo que nós na aldeia Krenak já estávamos de luto pelo nosso rio Doce. Não imaginava que o mundo nos traria esse outro luto. Está todo mundo parado. Quando engenheiros me disseram que iriam usar a tecnologia para recuperar o rio Doce, perguntaram a minha opinião. Eu respondi: ‘A minha sugestão é muito difícil de colocar em prática. Pois teríamos de parar todas as atividades humanas que incidem sobre o corpo do rio, a cem quilômetros nas margens direita e esquerda, até que ele voltasse a ter vida’. Então um deles me disse: ‘Mas isso é impossível’. O mundo não pode parar. E o mundo parou.”

Link: https://bit.ly/krenak_c-19

2. Harari, Yuval Noah. Na batalha contra o coronavírus, faltam líderes à humanidade (Breve Companhia, 2020). Companhia das Letras. Edição do Kindle.

yuval_covid19[TRECHO] “Nos últimos anos, políticos irresponsáveis solaparam deliberadamente a confiança na ciência, nas instituições e na cooperação internacional. Como resultado, enfrentamos a crise atual sem líderes que possam inspirar, organizar e financiar uma resposta global coordenada.”

Link: https://bit.ly/yuval-19covid

3. Contos de Quarentena (org. Mauro Paz, e-book) Participo com um conto chamado “Covid-19”.

capa (1)[APRESENTAÇÃO] Quando a realidade limita os horizontes, a literatura convida para passear. Essa foi a semente para a criação da antologia Contos de Quarentena. Organizada por Mauro Paz, a antologia tem como objetivo levar a literatura contemporânea para aqueles que estão em casa na luta contra a proliferação do Covid-19. A publicação tem distribuição gratuita na Revista Vício Velho. Está também disponível para download no site da Amazon.com.br — em kindle Unlimited ou pelo valor simbólico de R$1,99.

Links: Revista — https://bit.ly/3cwpgYL Amazon — https://amzn.to/2WSyNnU

4. Antifascistas: Contos, crônicas e poemas de resistência (orgs. Carol Proner e Leonardo Valente). Participo com um conto chamado “Cada palavra, uma morte”.

antifas_livro[TRECHO DA APRESENTAÇÃO] “Tendo como base a proposta geral da obra, foi dada liberdade temática, estilística e de formato a todas as escritoras e escritores convidados. Se necessário, crônicas poderiam extravasar seus limites para flertarem com artigos e ensaios, contos podiam parecer crônicas, e crônicas se aproximarem de contos, poemas ganharam carta branca para figurarem como desejassem seus poetas nas páginas, e ficção e realidade tiveram permissão para chegarem de mãos dadas ou bem separadas. A livre expressão em todas as suas dimensões foi mais um contraponto proposital ao engessamento conservador, limitador e classificador típico do fascismo de ontem e de hoje.”

Link para comprar: http://bit.ly/2W5fJSY

5. Printemps Littéraire Brésilien 2020

printemps_nao_ficcaoA gueto publica entre março e junho textos de ficção e de não ficção dos autores convidados da Printemps Littéraire Brésilien a partir do tema norteador deste ano: Brasil: (im)possíveis diálogos. Os textos vão ao ar primeiro individualmente no portal e depois serão reunidos em e-book (orgs. Leonardo Tonus e Christiane Angelotti) para download gratuito.

Link: https://revistagueto.com/tag/printemps2020/

6. Artigo na Folha de S.Paulo: “Brasil enfrenta duplo apocalipse com Bolsonaro e coronavírus, reflete Nuno Ramos”.

folha_sp[RESUMO] Revisitando a festa de seus 60 anos no início de março, em momento que já parece muito distante, artista e escritor, neste texto caleidoscópico, reflete sobre o bolsonarismo e a sobreposição do tempo da política e da pandemia no Brasil. Enfrentamos um duplo apocalipse ainda mais assustador por não sabermos se já se instaurou ou está por vir.

Link: https://bit.ly/2WqUuuP

7. “Diário da quarentena de Pedro Almodóvar”.

Link: https://bit.ly/almodovar_gueto

Semana que vem teremos mais dicas de leitura.

INSTAGRAM

A gueto ainda não tem Instagram. No futuro, quem sabe, abriremos um canal por lá, inclusive com IGTV em pleno funcionamento. Enquanto isso, indicamos alguns colegas parceiros que os nossos leitores podem ir conhecer.

Revista Philos | @revistaphilos

Capitaneada pelo queridíssimo e talentoso Jorge Pereira, esta revista das latinidades tem site e edições impressas. Tudo por lá é imperdível.

Revista Vício Velho | @revistaviciovelho

Editada por Carolina Hubert, é uma revista de literatura que consideramos irmã. No Instagram, a IGTV deles tem entrevistas com alguns dos autores participantes do e-book Contos de Quarentena.

São Paulo Review | @saopauloreview

Revista do jornalista, escritor, editor e artista plástico Alexandre Staut, um dos grandes amigos que fiz em São Paulo, quando trabalhamos juntos no grupo editorial que abarca as editoras Ibep (onde eu era editor) e Conrad e Companhia Editora Nacional (onde ele era editor). Seu livro Paris-Brest: Memórias de viagem e receitas deliciosas de um brasileiro pelas cozinhas da França (Companhia Editora Nacional, 2016), misto de romance de formação, diário de viagem e livro de receitas foi um dos melhores que li no ano passado.

POESIA

Na íntegra ou em fragmentos…

E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia

(João Cabral de Melo Neto)

TRADUÇÃO

Rafael Mendes é tradutor e poeta. Residiu em Dublin por quatro anos e atualmente vive em Barcelona. Ele está com um projeto bem bacana. Recentemente, traduziu para o inglês três poemas meus: “Tocata e fuga funestas”, “Do filho malsucedido” e “Guerra civil”. Há outros poetas brasileiros já traduzidos e de outras nacionalidades.

O endereço é: https://poetrybilingue.wordpress.com/

CITAÇÃO

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“Sem tesão não se faz revolução.” (Roberto Freire)

OS LEITORES PERGUNTAM

Espaço aberto a perguntas dos leitores ao editor sobre qualquer assunto: literatura, coluna anterior, revista gueto, atualidades e o que mais der na telha. Será escolhida apenas uma pergunta por leitor, a ser enviada para o e-mail editorgueto@gmail.com com título “Pergunta ao editor”, e o leitor aceita que, junto à pergunta, seu nome verdadeiro e o link para uma rede social, site ou blog de sua autoria, ou seja, que o identifique, sejam também publicados no espaço.

FÓRUM DOS LEITORES

Por e-mail, identificando no título que é para este espaço, os leitores podem enviar comentários, elogios ou críticas a alguma publicação específica, coletânea, edição ou mesmo a algum autor. Os editores se reservam o direito de selecionar o que será publicado. A forma de identificação será a mesma da seção anterior.

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*Entrevista para Artur Gomes no site do Sebo do Jidduks: https://bit.ly/entrevista_gomes e Entrevista para Antônio LaCarne no Medium: https://bit.ly/medium_rna

A próxima coluna será publicada sábado, 23 de maio de 2020.