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lançamento do livro ‘Do amor e de outras tristezas’, de Rodrigo Novaes de Almeida

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O nosso editor-chefe, o escritor Rodrigo Novaes de Almeida, lança novo livro de contos, que está em pré-venda esta semana (até 22/08) com 15% de desconto no site da editora.

Link: https://bit.ly/doamor_urutau

Editora Urutau, pré-venda:

“Nos treze contos desta coletânea, o escritor Rodrigo Novaes de Almeida traz mais uma vez sua escrita brutal e precisa para colocar diante de nós a dura e por vezes implacável realidade dos nossos dias, sem deixar de lado o humor ácido e as reflexões existenciais característicos em sua ficção. Aqui podemos vislumbrar um escritor maduro, ciente do seu trabalho e com voz própria, afirmando-se como um dos principais nomes do conto contemporâneo brasileiro.”

Rodrigo Novaes de Almeida (Rio de Janeiro, 1976) é escritor e editor. Trabalhou nas editoras Apicuri, Saraiva, Ibep, Ática e Estação Liberdade. Autor dos livros Carnebruta (Contos, Editora Apicuri e Editora Oito e Meio, 2012), Das pequenas corrupções cotidianas que nos levam à barbárie e outros contos (Editora Patuá, 2018), finalista do 61º Prêmio Jabuti na categoria Contos, em 2019, e A clareira e a cidade (Poesia, Editora Urutau, 2020), entre outros. É fundador e editor-chefe da Revista Gueto e do selo Gueto Editorial, projetos de divulgação de literatura em língua portuguesa e celeiro de novos autores.

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Pré-venda de Do amor e de outras tristezas: histórias de violência e morte, de Rodrigo Novaes de Almeida. Disponível no site da Editora Urutau (usar o cupom: doamor), entrega em até 30 dias.
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Voe! Evoé!

o que vale mais é a opinião de um brigadiano ou de uma árvore, poema de Adrian dos Delima

Um brigadiano é como chamam policia militar na minha cidade
de trânsito matador
Nele os policiais vem e vão
Vem e vão os caminhões
Uma árvore não fala senão por seus atos
Os atos de uma árvore são bons
Uma árvore não responde a perguntas de polícia nem juiz
Uma árvore não responde nem pelos seus atos e pode
ser julgada como incapaz
Uma árvore não pensa
Uma árvore mantêm muitos vivos
E cada árvore sem pensar faz falta demais para o todo
Essa podia ser atitude de polícia
Manter os vivos como estão no seu lugar no mundo
Os brigadianos bem podiam ter voz ativa
Brigadianos
respondem por seus atos
E como humanos os atos deles são perfeitos em nada
pensam
falam
fazem
Mas brigadianos uma linha de raciocínio militar os impede
de falar verdadeiramente
Não devem pensar mais que uma árvore
Não devem se mover senão por vontade alheia
Brigadianos em muitos aspectos são iguais a elas
Nunca foram melhores que árvores
Nunca vão ser
E no entanto
têm medo delas
Têm medo que alguém suba em alguma
Têm medo que elas matem
Brigadianos não sabem que árvores são a única vida
São proibidos de escutá-las
Saber que lugar de humano é numa boa árvore
no meio delas e respirando
embaixo
em cima de uma
sem caminhões fedorentos passando nem carros de polícia
Isso é viver no meio da morte
Das árvores descemos ficamos eretos e caminhamos
Acredito nisso porque isso parece uma verdade
Acredito que brigadas deviam ouvir mais a opinião muda das árvores
depois pensar
depois falar
depois agir de maneira boa como as árvores
até que voltem a haver muitas árvores e brigadas venham a ser desnecessárias
Ou seja TUDO
por enquanto depende das árvores
as incapazes
Mas muita coisa pode depender daquilo que um brigadiano ainda venha a ser capaz

| poema finalista do Prêmio Off Flip 2020. |

Adrian dos Delima (Canoas, RS, 1970), nome artístico de Adriano do Carmo Flores de Lima, é poeta, tradutor, teórico de poesia e compositor; revisor, capista e diagramador. Cursou Letras, habilitação Tradução na UFRGS. Na década de 1990 publicou poemas em antologias e fanzines fotocopiados que editou com amigos, além de editar e publicar no jornal Falares, dos estudantes de letras da UFRGS. Foi pesquisador da poesia de João Cabral de Mello Neto. Seguindo seus estudos como autodidata, posteriormente publicou em revistas de papel e online, como Germina, Babel Poética, Gueto, Gente de Palavra, InComunidade, Sibila, Mallarmargens, Diversos Afins, Subversa, entre outras. É autor dos livros de poemas Consubstantdjetivos ComUns (Vidráguas e Gente de Palavra, 2015), Flâmula e outros poemas (Gente de Palavra, 2015) e O aqui fora olholhante (Vidráguas, 2017). Traduziu poemas de Joan Brossa para a Revista Gueto e de Reiner Kunze para ilustrar texto didático de livro de Geografia da Editora Moderna.

aprender outra liberdade, de Wanda Monteiro

wanda_capaPreso, numa exígua cela, dentro de um quartel de exército e sob uma excessiva segurança, Miguel ficou por muitos meses em total incomunicabilidade. Miguel nunca imaginara experimentar, um dia, essa incomunicabilidade que lhe impunha o silêncio implacável de toda e qualquer voz humana: Ninguém podia lhe dirigir a palavra, nenhum oficial, nenhum soldado e nem sequer um advogado poderia lhe dirigir a palavra. Era uma incomunicabilidade quase absoluta que só era quebrada pelos torturantes interrogatórios, onde a voz dos oficiais do comando militar martelava sua mente até o ponto em que ela não respondesse mais às lesões perpetradas contra o seu corpo físico.

A visita da esposa, dos filhos, dos pais e dos irmãos estava, terminantemente, proibida. Nem na mata densa do Curuá, região amazônica, onde ele havia se escondido por muitos dias, Miguel experimentara essa incomunicabilidade. Lá, havia o correio da mata, levado pela voz dos mateiros, pelos posseiros de terras e pelos ribeirinhos em suas canoas. Chegavam também as notícias pelo seu rádio transistor: essa era a rede de comunicação e espionagem que davam a Miguel, com segurança, as localizações e o movimento de seus perseguidores. Essa rede também levava à Miguel outras noticias: de sua cidade sitiada e militarmente ocupada, de seus pais em confinamento, de seus companheiros e de seus amigos próximos sob ameaça e tortura, e das patrulhas militares seguindo seu rastro para executar sua prisão. Mas, havia a voz da floresta: o canto dos pássaros, os sons dos animais selvagens, o farfalhar das folhas nas imensas árvores nativas, o som das águas nas corredeiras dos rios e igarapés, a música do vento e a música da chuva. Essa era a voz da mata, dos rios e dos animais que Miguel conhecia e compreendia, tal era sua intensa conexão com a natureza.

Depois, a caçada, a captura forjada e a brutal exposição de sua prisão na senda do rio e em terra firme. Sim, Miguel depois de pagar em dinheiro aos oficiais do exército por sua vida, se entregou para poupar a vida de seus pais e de seu irmão e para evitar que sua esposa e filhos sofressem mais violências. Todos que lhe eram próximos estavam sob constante ameaça pelos militares que cumpriam as ordens do comando militar. Ele fez com os militares um pacto: o de confirmar sua captura e não a sua rendição mediante um acordo financeiro.

Miguel foi exposto como um animal, amarrado, quase nu, primeiro em cima de caixotes dentro da embarcação que percorria o rio. Depois, ele foi exposto em um jipe do exército que percorreu as ruas de sua cidade natal. Ao chegar ao aeroporto da capital de seu Estado, Miguel foi exposto sob os holofotes da imprensa rendida ao sistema imposto pelos militares: os mesmos militares que promoveram o famigerado golpe contra a democracia de seu país.

Na incomunicabilidade da cela, havia a conexão de Miguel com as vozes de seu imaginário poético e mítico. Com as vozes de seus rios, de seus igarapés, de seus igapós, da mata densa de sua cidade natal. Havia também as vozes de afetos de suas histórias e sonhos: Miguel não podia ser ouvido e nada ouvir além dessas vozes. A cada amanhecer, a tortura de comer, beber e fazer suas necessidades orgânicas, mais íntimas, sob a mira de uma metralhadora apontada para sua nuca ou para sua testa. A cada anoitecer, dormir com os sons de sirenes, toques de recolher, com batidas de canos de ferro sobre a porta da cela e com o som do revólver jogado para dentro de sua cela. Na prisão, na mesma tortuosa hora de cada noite, um revólver era jogado para dentro da cela de Miguel. Ele já não se assustava mais e esperava por aquela cena. Depois que a arma era jogada, ele deixava passar algumas horas, e empurrava o revólver para fora da cela, pela mesma fresta em que ele era jogado. Ele sabia que aquela cena se repetiria dias e talvez meses, até que ele perdesse o controle. Como ele era um homem público e os olhos da imprensa local estavam voltados para sua prisão celular, ele não podia ser morto facilmente. Para o comando militar, um suicídio seria um fato conveniente para aquelas circunstâncias. Miguel sabia que aquela incomunicabilidade imposta tinha o deliberado propósito de enlouquecê-lo e de levá-lo ao suicídio.

Mais um amanhecer, a mesma tortura que parecia outra e sempre outra, mas era a mesma. Outra tarde, que parecia a mesma, sem sol, sem ar, sem vento, sem voz: a mínima portinhola de ferro de sua exígua cela se abre: Não era um oficial, mais uma vez, lhe ordenando com os olhos que o acompanhasse para mais um agonizante interrogatório. Não, não era, pelo capacete, dava para ver que era um soldado.

— Doutor! Sou eu, o senhor não tá me reconhecendo? Sou eu, filho de sua comadre, aquela que o senhor ajudou a reconhecer, na forma da lei, o nosso pedaço de terra, o senhor lembra?

Miguel, atordoado com a luz invadindo a cela e mais do que com a luz, com aquela voz que lhe quebrara um implacável silêncio, não conseguia ver nem os olhos do soldado, nem sua feição e mal conseguia lembrar se era de tarde ou se anoitecia.

— Por que estás falando comigo? Não sabes que tu podes ser preso por me dirigires a palavra? Como te chamas? Como chama tua mãe?

— Ah doutor, sou eu Firmino, mas olhe, hoje eu consegui furar esse cerco pra falar com o senhor, prometi pra minha mãezinha que daria notícias do senhor pra ela. Olhe doutor, antes que chegue mais um da tropa, deixa eu lhe dizer, eu tenho tanta pena do senhor. O senhor tá aí tão preso, preso na pior cela, preso nessa pior prisão e preso nesse silêncio. Tenho tanta pena do senhor.

No entreato desse diálogo inusitado e nervoso com o soldado, Miguel pensou no significado das palavras: pena, prisão, silêncio. E num átimo de tempo, lhe veio à mente a palavra liberdade. E lhe veio a mais clara ideia de que ele era livre para pensar. E de que o pensamento era o seu chão, era a terra onde podia nutrir, livremente, seu imaginário e suas ideias. O pensamento era a terra em que ele pisava. Por todos aqueles intermináveis meses, a incomunicabilidade de Miguel com o tudo de fora da cela o fez entrar em contato e em total sintonia com o tudo que vivia dentro de sua mente e que se movia no pensamento.

“Me sentia esmagado pelo ferro da porta, pelo ferro da grade e pelo cimento do chão, das paredes e do teto. Primeiro foi o espaço. Depois foi o tempo. O espaço, a princípio, me limitava a visão e a audição dos passos cadenciados dos soldados, não entendia o que eu tinha lido em Martin Heidegger: que escutando, o pensamento fala. Pois fala do pensamento é escutar. A escuta é a dimensão mais profunda e o modo mais simples de falar. O barulho do silêncio constitui a forma originária do dizer.” (posso ouvir as palavras de Miguel escritas em seu livro de ideias)

— Firmino, não tenha pena de mim. Tenhas um pouco de pena de ti, estás mais preso que eu.

— Como assim doutor, o senhor aí tão preso e olhe eu tenho até medo do que pode lhe acontecer, eu ouço dizer pelos oficiais que o senhor é o mais perigoso dos subversivos. Mas olhe, eu digo pra mim mesmo que mesmo não entendendo nada do que eles alegam dessa tal subversão, eu digo de sua bondade com o povo lá do nosso povoado feito com esmero na beira do rio. Mas, a modo que eu tenho é pena sim. Me desculpa o senhor. Mas como assim que eu estou mais preso que o senhor, onde está a sua liberdade?

— Firmino! Estou mais livre do que tu porque eu ainda posso pensar. É no pensamento que mora a minha mais íntima liberdade.

Um som alto de uma sirene de recolher rasgou o espaço e fraturou o tempo daquele breve e proibido diálogo. Firmino fechou, rapidamente, a mínima janela de ferro da cela, voltou para seu posto, bateu continência e ficou naquela sua prisão. Ele ficou preso em seu gesto de prontidão e vigília, com seus olhos mirando o vazio das distâncias.

Miguel fechou os olhos, respirou profundamente, e voltou para o chão do pensamento. Nesse chão, Miguel voltou a pensar, livremente.

| conto do livro Chão de Exílio (Editora AMO, 2021). |

Wanda Monteiro é advogada, escritora, uma amazônida nascida à margem esquerda do rio Amazonas, em Alenquer, Pará, Brasil. Obras publicadas: O Beijo da Chuva (Editora Amazônia, 2008); Anverso (Editora Amazônia, 2011); Duas Mulheres Entardecendo (Editora Tempo, 2015), em parceria com a escritora Maria Helena Latinni; Aquatempo (Editora Literacidade, 2016); A Liturgia do Tempo e outros silêncios (Editora Patuá, 2019); Aquatempo Aquatiempo, tradução versão em espanhol de Bianca Guzzo (Editora Patuá, 2020).

pedra de Montezuma, de Léo Tavares

capa_melancoliaPois que, Montezuma, naquele tempo, vendo-se ante as tribulações da chegada dos espanhóis, ainda na feição da profecia, mandou que vasculhassem a nação em busca de uma nova pedra sacrificial para os rituais de esfolamento. Os deuses andavam insatisfeitos, tinham gana, demonstravam sua ira por meio da natureza ou das traições humanas. Era por isso que a cidade de Tenochtitlán se encontrava à mercê das agonias do rei, torturado dia e noite pelos prodígios sucessivos que os mágicos e sacerdotes anunciavam, lendo nos céus e por meio de visões e sonhos os sinais de grande transformação.

E os tenochcas encontraram a pedra, numa colina alta na província de Chalco, uma pedra monumental que demandou a ajuda de centenas de homens de cidades confederadas para que fosse retirada de lá. Foram feitos esforços ao limite das capacidades físicas, e então foram feitas conjurações e entoados cânticos, aspersões rituais e marcações mágicas. Só assim a pedra obstinada cedeu e foi arrastada, com alavancas e cordas, por estradas e aldeias. Mas as cordas se rompiam, sucessivamente, as alavancas emperravam, sem trégua, e as gentes de províncias diversas e de cidades aliadas a Montezuma já se encontravam à beira da desistência. E a pedra disse, de voz própria e contundente, a pedra disse não querer ir a Tenochtitlán. Iria, se fosse o caso, até onde lhe aprouvesse. Era seu direito não ir. O rei, ao saber da teimosia da pedra e ao ser informado de suas palavras, em princípio não acreditou na história dos mensageiros e mandou que fossem sacrificados.

Enquanto isso, a pedra insistia em se pronunciar, a cada tentativa fracassada de demovê-la de onde estava, a meio do caminho para a capital mexica.

Será um mau sinal se eu chegar a Tenochtitlán. Não devo estar presente para assistir à catástrofe. Digam ao seu senhor Montezuma que já é tarde, o que acontecerá com o povo dele está posto e é destruição. Foi mais ou menos isso o que disse a pedra. E depois, vendo que os homens, ameaçados por Montezuma, não se conformavam em ser vencidos naquele empreendimento, deixou-se a pedra finalmente arrastar com facilidade.

Diante de Tenochtitlán, a pedra encontrou os festejos do povo. Foi recebida com incensos e cantoria, oferendas e sacrifícios. E ordenou-se que conduzissem a pedra por uma ponte de vigas grossas e maciças, disposta sobre um canal profundo, a fim de que a pedra entrasse pela porta principal da cidade. A pedra aquiesceu e seguiu, levada pelo cortejo, o rumo imposto por Montezuma. No meio da travessia, no entanto, foi ouvido por grande número de gente o estertor da madeira ao ser arrebentada. A grande pedra tinha desabado sobre o canal profundo, levando consigo dezenas de homens. Em fúria e incredulidade, nem mesmo diante dessa tragédia quis Montezuma desistir da pedra. Mandou mergulhadores com cordas para encontrá-la no leito do canal e trazê-la de volta à superfície. A pedra haveria de cumprir o desígnio que tinha sido, por ele, descendente dos deuses, determinado. Mas os mergulhadores retornaram sem nada. Não a encontraram no fundo do canal. Tendo vasculhado por todos os lados, verificaram que ela já não estava naquelas águas.

Alguns dias depois, chegou notícia do paradeiro da pedra. E Montezuma ficou sabendo que, em verdade, ela repousava em seu lugar de origem, ainda coberta de oferendas, ainda manchada do sangue dos sacrifícios.

E uma mulher, no século vinte e um, tendo organizado alguns itens pessoais em uma pequena mala, e tendo tomado o caminho de um aeroporto e lá chegado, e tendo entrado pelo portão de embarque, andado alguns passos dentro do corredor móvel que conectava o prédio a uma aeronave, de repente dava as costas e fazia o caminho inverso.

Naquela manhã de sol obstinado em janelas sujas de carros e ônibus, a mulher atravessou a cidade com o pensamento voltado a uma viagem que tinha feito há anos. Fotografou, então, as colinas e os montes, rondeou os vulcões do Vale do México, andando principalmente pelos arredores do município de Chalco, em busca de uma pedra monumental que correspondesse ao descrito nos relatos astecas da Conquista.

Tinha escrito, há poucos dias, sobre essas fotografias. Escreveu também sobre as ilustrações dos manuscritos mexicanos de antes e de poucos anos após a invasão dos espanhóis. Era o seu tema para a palestra do congresso, alguma coisa oscilante entre a arqueologia e o mito, entre a história monumental e o fenômeno poético primitivo que lhe impelia a manusear uma câmera. Agora não conseguia fazer sentido de tudo aquilo. Não é isso, pensava, relendo suas anotações e reflexões escritas no computador. Não é isso. E antes mesmo que o táxi parasse na frente do edifício, ela se disse, uma confissão há muito protelada: eu gostaria de fazer outra coisa.

Ao chegar em casa, viu-se no espelho oval do outro lado da sala, como quem não esperava se ver, por entre flores e folhagens meio murchas, amareladas. Tomada de assalto pela própria imagem, de mala na mão. Tirou a câmera portátil da mala e apontou para o espelho. Mais tarde escreveu sobre o espaço em branco da polaroid: Pedra de Montezuma. Datou a foto e a escondeu entre as páginas de um livro volumoso que trazia os códices astecas.

| conto do livro O Congresso da Melancolia (Editora Urutau, 2021). |

Léo Tavares nasceu em São Gabriel, no Rio Grande do Sul, vive e trabalha no Distrito Federal. É Doutor em Artes Visuais pela Universidade de Brasília. Pesquisa a relação entre a palavra e a imagem. Autor dos livros de contos O Congresso da Melancolia (Editora Urutau, 2021), Ruibarbo do deserto (Editora Patuá, 2019) e Os Doentes em Torno da Caixa de Mesmer (Modelo de Nuvem, 2014), prêmio Contista Estreante, pela FestiPoa Literária, de Porto Alegre.

sobre uma canção do bob dylan, poema de Hugo Lima

quantos caminhos um homem deve percorrer
até ser considerado um homem?
quantos oceanos deve cruzar
antes de morrer na praia?
quantas balas de revólver serão atiradas
até que sejam banidas para sempre?
que respostas nos soprará o vento?

quanto tempo uma montanha pode existir
antes de ser tomada pelas águas?
quantos anos uma pessoa precisa viver
até conquistar sua própria liberdade?
quantas vezes nos encaramos no espelho
e não nos reconhecemos?
que respostas nos soprará o vento?

quantas vezes olhamos para cima
mas não reparamos no céu?
quantos ouvidos um líder deve ter
para ouvir o seu povo chorar?
quantos ainda precisarão morrer
até que façamos alguma coisa?
que respostas nos soprará o vento?

| poema do livro O corpo sublime (Editora Urutau, 2021). |

capa_sublimeHugo Lima é poeta, performer, educador, curador e especialista em artes plásticas e contemporaneidade. Suas pesquisas giram em torno da produção de artistas brasileiros contemporâneos — com publicações recentes sobre as obras de Letícia Parente, Edith Derdyk e Maíra Parula — e das intersecções entre corpo, linguagem e novas mídias. Já se apresentou em diversos eventos culturais. É autor de Nus, Florais & Ping-Pong (2014), Corpo dos Afetos (2015), Dois Quartos (2017), pela Crivo Editorial; Repeats & Bonus Tracks (2017), pela Coleção Leve1livro; e do livrobjeto A Linha Pensa (2017-2019), pela Casa Sana Edições.

versos para esquecer, poema de Diana Pilatti

capa_diafanasdas cinzas do dia
teu nome me insiste

ecoa cálido sibilo
entre os dentes da noite

te exorcizo nestes versos
Órion
visgo de estrelas

da minha boca
da minha pele
teu nome madrugada

com a mesma força
eflúvio e sede e devoção
a poesia que decomponho

e para meu alento [e sepultura] — parto
poeira de Lua e Tempo

no viés da palavra
[desfaço nós]
sem pronúncia: sou outra

“na curva extrema do caminho”
despedida
[e em teus adros
meu nome
totem profano]

| poema do livro Palavras Diáfanas (Editora Patuá, 2021). |

Diana Pilatti é professora da rede pública e poeta. Coorganizadora da Mostra Poetrix (2020-2021), participou das duas edições da Coleção de Livros de Bolso do Mulherio das Letras (2019-2020), além de ter vários poemas publicados em coletâneas e revistas literárias. Palavras Diáfanas é seu terceiro livro de poemas, lançado em 2021 pela Editora Patuá [ @dianapilatti ].

selecionados da edição impressa n.2 da revista gueto

capa_gueto_impressa_2Em novembro de 2021 a Gueto completa 5 anos. Neste período, publicamos novos autores e autores consagrados, com o objetivo de divulgar a literatura contemporânea em língua portuguesa. Selecionamos 20 autoras e 20 autores, em poesia e em prosa, publicados no portal no biênio 2019-2020. Esta será, como a primeira, uma edição comemorativa de um trabalho coletivo entre escritores, poetas, curadores e editores.

Agradecemos aos editores Eduardo Lacerda e Pricila Gunutzmann da Editora Patuá pela parceria mais uma vez e ao artista visual Leonardo Mathias pela capa desta segunda edição.

A seguir, os selecionados:

CONTO

1. Adriane Garcia | #Minicontos para futuro nenhum
2. Alexandre Arbex | O ofício da fome
3. Ana Bárbara Pedrosa | Num motel em Loures
4. Christiane Angelotti | Mais uma Maria
5. Dirce Waltrick do Amarante | A diplomacia em banho-maria
6. Fábio Mariano | Infierno
7. Fred Di Giacomo | Ypy
8. Hugo Almeida | Ó
9. Laura Elizia Haubert | Laços
10. Liliane Prata | A culpa é dos poetas
11. Marcelo Maluf | Nada para contemplar
12. Myriam Campello | Obscura Veneza
13. Natalia Timerman | Sábado
14. Rafael Gallo | A única estação
15. Roberto Menezes | De quando a verdade me levantou do chão
16. Rosângela Vieira Rocha | O trovador de Toledo
17. Sergio Leo | Tarzan, o filho do alfaiate
18. Sérgio Tavares | Cruzadismo
19. Tiago Germano | Germes
20. Veronica Stigger | Fantasmas

POESIA

1. Alberto Bresciani | Nomes escritos às ostras
2. Alice Vieira | Prometeu
3. Andri Carvão | O poeta pobre
4. Carlos Emilio Faraco | s/título
5. Francesca Cricelli | Poema para a fiandeira de Remedios Varo em Les feuilles mortes
6. Isabella Martino | Começos
7. Laura Erber | Circunstância da luz
8. Leonardo Tonus | Notas esparsas para um mundo áspero
9. Manuella Bezerra de Melo | s/título
10. Marcelo Labes | A fábrica
11. Maria Esther Maciel | A vida ao redor
12. Maria João Cantinho | Abate diário
13. Matheus Guménin Barreto | O que vale um poema
14. Prisca Agustoni | A fera, primeira parte
15. Rafael Mendes | Resposta a Kaváfis
16. Reynaldo Damazio | s/título
17. Rodrigo Novaes de Almeida | Tocata e Fuga funestas
18. Susanna Busato | Entre
19. Tatiana Pequeno | Abençoados
20. Tito Leite | Acaso

A edição está em pré-venda no site da Editora Patuá neste [link]

três poemas de Laís Araruna de Aquino

nós só compreendemos muito tempo depois

é perto das quatro, o sol incide
obliquamente sobre as palmeiras
o vento rege uma canção entoada pelos
pássaros e cigarras —
aquela que veio de nenhum passado

agora, uma ave branca cruza o silêncio
nós só compreendemos muito depois
esta paisagem, este corpo, esta travessia
compreendemos numa estação diversa
quando as folhas estão secas no chão
ou sabem à resina

tudo está calmo e quieto
mas ninguém sabe os mundos que o coração
do homem abriga
os bois se juntam no pasto
e tangem os rabos contra as moscas
também meu coração tange algo
que não sei nomear

estamos no presente como em um lago
onde pousamos os pés
e não sentimos o assoalho
e de repente se faz muito tarde

quando desejamos regressar
e abrimos a porta da memória,
há um caminho que muda
a cada entrada

então, na curva de tantos dias,
deixamos um pouco do passado
agora, o musgo cresceu
range a porta

damos talvez por uma falta
mas não saberíamos dizer
mesmo isto —
nós só compreendemos muito depois

o cheiro da tangerina

todas estas coisas são muito antigas
a tarde
o sol
a meio caminho do horizonte
um homem
sem outra companhia que seu pensamento
navegando na tarde imóvel

todas estas coisas são muito antigas
o cheiro da tangerina
impregnado nas unhas
as cortinas esvoaçando na sala
os poliedros de luz que o sol faz no assoalho

tudo isto é muito antigo
a tua silhueta
contra o anteparo da janela
o halo distante da lua
na noite ausente

muito antigos
um homem
e a vontade de núpcias
impossíveis com o universo

à luz da manhã todas estas coisas começarão mais uma vez
e a manhã e tu mesmo estarão sob o sol
sem o frescor da criação

meditação em Ouro Preto

chove
e ao tombar a chuva sequer descreve uma melodia
o silêncio do estio retumba em praças lúgubres
e o tempo escoa no ciciar da noite sem cortejo algum
as esferas estão vazias e nada acolhe o teu desejo
a tua carne jaz triste em um colchão de hotel
entre os pilares inexistentes do dia, não irrompe
um bocejo de tédio dos deuses ou dos bêbados
o coração do tempo se profanou definitivamente
escutas apenas uma pancada forte nas paredes
mas não há ninguém do lado de fora

são as paredes do teu corpo que estertoram

Laís Araruna de Aquino nasceu em 1988, no Recife, onde vive. É autora de Juventude (Editora Reformatório, 2018), vencedor do Prêmio Maraã de Poesia 2017.

nove, poema de Maria Fernanda Vasconcelos de Almeida

Quem é que poderia imaginar que ela seria nove ao invés de dois. Que a vida seria a linha em redemoinho permanente. Que seu corpo seria o fio de um discurso muito longo girando ao redor do mesmo tema. Quem é que poderia imaginar que ela seria a única personagem do livro que eu escreveria. Quem é que poderia imaginar que assim é que ela viveria para sempre. Que sexo era só o que seria diversão. Quem é que poderia pensar que ela viria caminhando em direção oposta. Quem é que poderia imaginar que ela declamaria versos em voz alta. Quem é que poderia imaginar que ela voaria como pássaro selvagem na floresta não tão encantada assim. Quem é que poderia pensar que ela seria capaz de falar duas línguas ao mesmo tempo. Quem poderia pensar que ela se dedicaria à pesquisa de fundamentos básicos da sociologia. Que driblaria questões que não eram físicas. Que teria pleno domínio de arte e matemática. Quem poderia imaginar que ela tomaria duas doses de conhaque na primeira noite de inverno. Quem é que poderia imaginar que ela teria este longo cavanhaque. Que dela seria um cavalo chamado Oberon. Quem é que poderia imaginar que ela trocaria a noite pelo dia. Quem poderia imaginar que um dia ela vestiria quimonos e gravatas. Quem é que poderia imaginar que o que ela mais desejaria na vida era ter destino comum. Tal qual no primeiro dia em que saiu de casa para andar de bicicleta. Quem é que poderia imaginar que um homem inteiro não seria feito de meias palavras. Que o que ele diria ontem seria o que hoje ele silencia. Quem é que poderia imaginar que a casa é o que restaria onde ela já não mais estava. Quem é que poderia imaginar que haveria vento deslizando na superfície da terra. Quem é que algum dia poderia pensar que uma nuvem faria sombra na topografia. Quem é que algum dia poderia imaginar que haveria flores no jardim de todos. Quem é que poderia imaginar que dali a poucos minutos alguém partiria para nunca mais voltar. Quem é que poderia imaginar que ela seria um só. Que às vezes ela seria ele. Que ele nunca estaria fora dela. Quem diria que a vida seria feita de milhares de fragmentos. Quem diria que um dia isso tudo passaria. Quem é que poderia imaginar que haveria tanto drama na última hora. Quem é que poderia imaginar que ela teria o mínimo de disciplina. Para colocar talheres sobre a mesa. Para organizar livros na estante em ordem decrescente de tamanho. Para levantar hipóteses, para relembrar isso e aquilo outro. Quem diria que ele vestiria saia plissada no verão. Quem diria que dali a poucos dias seria um vestido verde. Quem diria que um dia ela ainda colecionaria pesos de papel. Quem é que poderia adivinhar que ela iria gostar de Picasso, mas não de Pissarro. Quem poderia pensar que não haveria regra sem exceção. Quem diria que o mínimo de perspectiva seria fundamental para atravessar a rua. Quem diria que o traço no desenho seria diagonal. Que qualquer julgamento seria sempre parcial. Que o sentimento seria mútuo ocasionalmente falando. Quem quer que fosse imperador. Quem é que poderia imaginar que ela não teria coragem. Quem é que poderia duvidar que ela teria medo. Que daqui para a frente nada seria como antes. Que ela não seria igual a ele. Quem diria que ela não teria cílios postiços. Quem é que poderia imaginar qual seria a cor dos olhos dele. Quem diria que não haveria mais tempo para pensar no primeiro dia do ano. Parábolas seriam feitas disso. Antenas parabólicas também. Quem é que poderia imaginar que ontem de madrugada ela voaria tão alto. Quem é que poderia imaginar que ela cairia da escada antes do final do dia. Que aquela que não era ela que ali estava na minha frente. Quem é que poderia imaginar que ela teria dois casamentos na vida. Que o amor também seria feito de desencanto. Desencontros seriam fenômenos relativamente comuns. Quem é que poderia imaginar quantos anéis ela teria nos dedos. Quem é que poderia pensar na luz acesa hoje cedo. Quem é que poderia ter lembrado disso. Quem é que poderia imaginar o que ele levaria no bolso do casaco. Quem é que poderia imaginar que ele sairia de casa para nunca mais voltar. Que deixaria um par de sapatos para trás. Além de quadros na parede traje esporte fino e outras recordações. Quem é que poderia pensar que ela embarcaria no próximo trem para Genebra. Quem diria que ela teria fôlego para atravessar a longitude do corredor. Quem é que poderia imaginar qual seria o resultado final do exame laboratorial. Quem poderia saber qual seria o diagnóstico final. Quem é que poderia imaginar que ela cruzaria um oceano inteiro a nado. Que haveria ritmo nas braçadas. Quem diria que ela não saberia de nada, mas que também não almejaria nada além disso. Quem é que poderia imaginar que ela viveria setenta e dois anos e dois dias. Que a vida passaria como um suspiro na janela. Que hoje ela teria um monóculo inglês na mão direita. Que depois o monóculo ficaria guardado na gaveta do aparador. Quem é que poderia pensar que ela também colecionaria mapas, além de pesos de papel. Quimeras e o que mais. Do que ela seria capaz se não tivesse medo. Quem é que poderia imaginar que sobraria sempre um minuto do tempo que se perdeu em pensamento. Que de antigas memórias viria uma jaqueta de veludo novinha em folha. Quem é que poderia pensar que ela escreveria uma carta tão longa em plena sexta. Quem diria que seria uma carta de amor monumental. Que o conteúdo da carta seria puramente sentimental. Que ela seria personagem principal. Quem é que poderia falar de seu próprio destino. Quem diria que ela ainda veria tantas crianças correndo no meio da rua. Quem seria a mulher com quem trocou meia dúzia de palavras hoje de manhã. Quem seria o homem que cuidava dela no hospital. Quem seríamos nós às cinco da tarde. Quem seríamos nós quando a noite cai. Quem é que morre quando o outro nasce. Quem poderia pensar que dali a meia hora já seria outro dia. Quem poderia pensar que ela não voltaria atrás. Quem é que poderia imaginar o que viria adiante. Quem é que poderia pensar no que sempre acontece de repente. Quem pensaria igual, quem pensaria diferente. Quem saberia dizer o que não sente. Quem ela pensaria que era ele agora mesmo. Quem poderia imaginar que ela não fosse dourada. Que não tivesse nuvens nos olhos. Quem é que poderia imaginar que ela não teria eira nem beira. No que pensaria ela ao abrir a janela do quarto. No que pensaria ela ao pensar nele e vice-versa. Quem é que poderia imaginar que ela seria mestre na arte de desaparecer sem dar notícia. Que faria um curso de caligrafia japonesa. Quem imaginaria que um dia ela seria assim. Quem seria ela despindo as roupas no banheiro. Quem seria ela fechando os olhos depois de apagar a luz. Quem seria ela nos braços dele. Quem seria ele aos olhos dela compasso e espera. Quem teria sido ele na noite passada. Quem é que poderia imaginar que ela não soubesse disso. Quem é que poderia pensar no que não faz falta. Quem é que poderia imaginar que ela faria uma anotação qualquer. Que depois disso ela apagaria a luz de novo. Quem é que poderia imaginar que ela ficaria em silêncio. Quem é que poderia imaginar qual seria a direção do vento. Quem é que poderia imaginar que um dia ela sairia correndo na direção do mar. Quem é que poderia imaginar qual seria a hora exata em que isso aconteceria. Quem poderia dizer que horas eram quando ela não voltou mais.

Maria Fernanda Vasconcelos de Almeida é formada em Cinema pela Fundação Armando Alvares Penteado — FAAP e funcionária do Itamaraty desde 1994. Já morou em Berlim e Nova York, atualmente reside em Londres. Colecionadora de palavras, profundamente interessada em tudo aquilo que acontece ao redor.

fragmento do romance ‘Elas marchavam sob o sol’, de Cristina Judar

Elas marchavam sob o sol (Editora Dublinense, 2021)

capa_sob_solMortas podem ser as pessoas, mortas podem ser ideias e revoluções enterradas às pressas, antes que floresçam e mudem definitivamente a ordem das coisas.

Mortas podem ser as mulheres, enterradas vivas pelo fato de não serem vistas, quando, de fato, elas são os planetas, as deidades, o fundo do mar, tudo o que é incontável ou impossível de se medir.

Uma lenda que trago comigo: em um passado remoto, havia uma velha, ela vivia em um deserto e soprava ossadas que encontrava pelo caminho. Havia velas acesas no interior do seu corpo antigo.

Ao despejar sobre as ossadas o calor das suas entranhas, a velha as preenchia com carnes e narrativas que delineavam formas nada correspondentes às necessidades de consumo dos homens.

Desertos são oceanos extintos: os esqueletos se transformavam em conchas e somente depois se tornavam corpos. Esse era o seu pequeno milagre.

Ela sempre se assombrava com o acúmulo de ossos sobre o chão. Em posições variadas, eram favoráveis ao reconhecimento de que haviam pertencido a mulheres.

A velha caminhava entre eles como quem não quer pisar em ovos, ela era uma jardineira de flores calcificadas. Naquele canteiro sem água, havia um registro raro e diversificado. A secura pode conter germinações e reter temporalidades, embora sejamos convencidos a acreditar no contrário.

Dia a dia, a velha regava suas joias inertes com o ar e o fogo, com um passear ritmado e um canto que, de tão rouco, parecia ter nascido no início do mundo. Naquele lugar em que todos os acontecimentos são ideias não projetadas na realidade linear, pólen em suspensão, raio de sol sem parada fixa. Ela observava as ossadas como se as acariciasse.

Exalava chamas e reconstituía o que estava perdido — não apenas os corpos, mas a beleza oceânica deles, aquela que está contida no movimento e os define na ausência de limitação, na geometria dinâmica das ondas, no cheiro do sal.

Elas marchavam sob o sol, lançado 4 anos depois de seu último romance, apresenta narrativa sobre aprisionamentos relacionados ao feminino e a corpos dissidentes. Saiba mais no [link].

Cristina Judar nasceu em São Paulo, é escritora e jornalista, autora do romance Oito do Sete, ganhador do Prêmio São Paulo de Literatura 2018 e finalista do Prêmio Jabuti do mesmo ano. Escreveu o livro de contos Roteiros para uma vida curta (Menção Honrosa no Prêmio SESC de Literatura 2014) e as HQs Lina e Vermelho, vivo. Seus textos curtos também figuraram em diversas antologias publicadas no Brasil e no exterior. Elas marchavam sob o sol é o seu segundo romance.