três poemas de Diana Pilatti

sem nome

a Loucura se avizinha
fica me olhando
imóvel
da esquina

fecho a janela
apago as luzes

está parada ali
Louca
no meio da rua
amarelada
intermitente
como o poste de lua

— Que estou dizendo?!
minha boca me sussurra

está aqui dentro
na minha cama
a Loucura

quer que eu tome cerveja
quer que eu fique nua
quer ser minha amante
a Loucura pálida insone
no meu ouvido canta aerada
seu verdadeiro nome…

alvéolo

raso
pensamento róseo
no desejo mínimo
amenidades

no leito último
essa poesia fútil
urgente
— Logo aos cravos, por favor!
e me deixem
útil
verso húmus
ao silêncio
e larva
e só

— A sete palmos
o poeta
eclode
eternidade.

tercetos sobre a Palavra e o Tempo

meu corpo cede
erodido
tempo precede

na palavra puída
tempo
um poema preludia

salobra rima
nos corais dos teus olhos
na ferrugem dos dias

impronunciável
a palavra
de ausências corroída

submerso
o verso encara
no olho do Kraken: seu destino

lenta (entre) ondula
maré e palavra
verso ferrugem

na preamar dos meus olhos
um sonho antigo
oxida

Diana Pilatti. Paranaense criada em Campo Grande-MS. Professora e aprendiz de poeta. Formada em Letras (UCDB) e Mestre em Estudos de Linguagens pela UFMS. Autora do livro Palavras Avulsas, volume 7 da Primeira Coleção do Mulherio das Letras, 2019. Participou de algumas coletâneas e revistas literárias. Publica poemas também nas redes sociais [@dianapilatti].