domingo ou poema sobre o fim, de Diego Gregório

Domingo é mesmo um dia difícil.
Viúva sente saudade do marido que morreu e
quem ainda não casou acha que não casa nunca.
Há um tédio furta cor que cutuca os ossos
que nem samba antigo.
É de choro.
A gente lembra das viagens feitas, das que não
podemos fazer tão cedo e de quem já viajou pra sempre.
Cachorro late na rua e a gente treme e acha que é lobo.
É de medo.
A pressão cai.
Nunca vi gente nascendo num domingo
mas pra compensar, ja vi morrendo.
É dorido.
Quando se é criança domingo é dia de cortar o cabelo,
quem namora, é dia de despedida.
Até a lua demora pouco no céu.
E Deus vai dormir e esquece da gente.
É de fim.

Diego Gregório é assessor de imprensa e acha que poesia pode salvar vidas. E-mail: diegojgregorio@gmail.com