praga

apago pego no sono
ao lado de desconhecidos
sinto fungos a acidez nas coxas
a mari disse cravo óleo de coco
e bicarbonato de sódio curam
a palavra cândida também
significa aguardente de cana
cachaça fungos
que podiam tornar o vinho
em vinho mas
seguem aqui ardendo
quando dão trégua
apago pego no sono
ao lado de desconhecidos
a palavra cândida também
pode ser um nome como a
cândida erêndida que torcia
a roupa de cama branca em
que sua vó a vendia pros homens
a palavra cândida também significa
branca
e lembrei do arroz que
catei com a vó as
mariposas puseram ovos
nos sete quilos de arroz
da casa dos ovos
saíram bichinhos a vó
disse está limpo mas
preciso que você também
cate catamos
tivesse dinheiro não tinha
escolha ela dizia
apago pego no sono
ao lado de desconhecidos
enquanto atravesso arroz já
cândido cachaça e ponte
presidente costa e silva rumo à
tua casa que fica agora
na rua Venceslau que é
como se chama também a praça
da primavera de praga

Ana Carolina Assis é poeta e educadora. Mora em São Gonçalo desde que nasceu, em 1991, e ainda investiga esse trânsito mato-asfalto ao ir pro Rio. Cursa o mestrado na UFF, pesquisando poesia, corpo e esquizofrenia em Adília Lopes e Stela do Patrocínio. Tem poemas publicados nas revistas Garupa, Escamandro e no site Mulheres que escrevem. Constrói a muitas mãos a Oficina Experimental de Poesia desde 2015 e esse ano publicou com el_s o Almanaque Rebolado (2017, Azougue, Cozinha Experimental e Garupa).