exílio

Ainda não era verão.
Por fora seria uma noite
de outubro,
por dentro seria o dia
de insistir em enredos
nunca destinados a nós.

Ontem mesmo fiz planos
impossíveis
com estranhos que
não sabem meu nome,
falei para eles sobre o tempo
em que frequentava
as reuniões
do partido
pra me sentir parte
de alguma coisa
e consentia
em escrever longos textos
sobre poetas inacessíveis
e os perigos de ficar
em silêncio.

Demorou muito
até que eu pudesse
sair da ilha,
mas estive em lugares piores,
por isso entendo
o que você me oferece
(como alguém que esperava mais
porém se surpreende
em ter conseguido
alguma coisa).

Laura Assis nasceu em Juiz de Fora (MG) em 1985 e é doutora em Literatura pela PUC-Rio. Participou das antologias Plástico Bolha (Organograma, 2014) e Naquela língua (Elsinore, 2017), lançada em Portugal. É autora do livro Depois de rasgar os mapas (Aquela Editora, 2014) e da plaquete Todo poema é a história de uma perda (Edições Macondo, 2016).