a chegada

Ela chegou numa manhã ensolarada. Bem cedo, fazendo com que a casa inteira despertasse. Primeiro, veio a avó abrir a porta, havia sido acordada pelo barulho do carro entrando na garagem. Depois, uma das crianças acordou e, mesmo tentando não despertar os irmãos, ao sair do quarto bateu a porta. Em segundos todos se puseram em pé. A correria na escada de madeira ecoou por toda a casa acordando também o avô, e ele nem ouvia muito bem. Todos se colocavam diante da porta de entrada, aguardando a novidade que chegava. A caçula, atrás de todos, ficava na ponta dos pés, tentando entender o que acontecia. Ainda estava um pouco adormecida. Primeiro entrou o pai, sorrindo. Parecia que havia voltado a ser criança. Entusiasmado, perguntou se estavam todos preparados. As crianças pulavam eufóricas. A caçula não entendia nada e não conseguindo enxergar o que se passava, pôs-se a chorar. O pai atravessou, ainda todo sorridente, o pequeno hall de entrada onde aguardavam com enorme expectativa as três crianças e os avós, e pegou a menorzinha no colo. “Vem meu bem, todos nós teremos que ajudar.” Foi então que surgiu a mãe segurando uma pequena cesta de vime, que foi colocada no chão, sobre o tapete felpudo da sala. E lá estava ela. Tão pretinha que brilhava. Tão gordinha e pequenina. Descobriram, todos eles, que a alegria também estava contida naquele pequeno cesto de vime. Estava lá, toda encolhida e dormindo, a primeira cachorrinha da família. Gritos, sorrisos, pulos, palmas e um entusiasmo geral. Todos queriam tocá-la. Após ouvirem as orientações da avó, as crianças fizeram fila para pegar o animal. Durante todo o dia, a família se revezava para admirar aquela que seria a companheira deles pelos próximos dezessete anos.

| Crônica do livro A construção da paisagem, 2012 |

Christiane Angelotti é editora de Literatura Infantojuvenil e de Educação, e criadora do site Para Educar.