auxílio ao telefone

Eu não sou glorioso sem você ao meu alcance
Pois perdi meus homens e o meu rosto no espelho movediço
Mas agora me resguardo dentro de um táxi
Pedindo auxílio ao telefone
Observando de perto a coluna vertebral dos anjos
Dos bêbados, das fornalhas onde o mundo perde o passo
E ninguém alcança o rosto de quem se ama
Por horas, meses ou estações de frio.

Em algum lugar o coração perdido cai da montanha
Os corpos se assemelham aos donos
Sonham de olhos abertos deitados numa cama
Quando todos os apertos de mãos são desejos
Os braços que pairam no ar
As armadilhas desconhecidas
As cidades esburacadas
E os amantes concluindo teorias absurdas.

Antônio LaCarne é de Fortaleza, nasceu em 1983. Formado em Letras pela Universidade Federal do Ceará. É autor de Salão Chinês (Ed. Patuá, 2014). Assina o blog pessoal O Impenetrável.